Wednesday, May 06, 2009
Memórias roubadas
Sunday, May 03, 2009
Íntima melodia cantada pelo vento
E meu pensamento que voa longe? Voa como o vento frio. Que saudade! Que desejo intenso de invadir a música que invade os meus ouvidos. Tudo parece tão perfeito. Estaria tudo quase perfeito se não tivesse que fazer os planos de aula para entregar à diretora da escola. Só de pensar e imaginar as feições dela, meu corpo sente uma inquietação. Nada contra a diretora, mas neste domingo, eu não gosto dela. Assim como não gosto de nada que cobre algo de mim hoje. Hoje sou eu e quero ser eu apenas. A mais nada será dado o direito de preecher meus pensamentos. Quero meus pensamentos limpos de delicadeza, de amor, de paz. Quero enfeitar minhas idéias com as coisas insanas que passam pela minha mente. Quero brindar à sanidade e festejar a loucura mais que necessária para sobreviver. Quero lembrar de momentos e sentir saudades. Quero perguntar ao Universo: "Why is he so far from me?". Mas não importa, longe ou perto, ele está em mim.
Quero também brindar a tudo que passa pela minha mente. Lembrei-me de Cazuza agora. Não sei o porquê, mas Cazuza invadiu minhas idéias. Cazuza era fascinante. Se pudesse, queria tomar um chocolate quente com ele agora.
Também é fascinante a capacidade que Mozart tem de me levar tão longe, de me colocar tão longe, de me fazer tão longe... Penso ainda em Clarice Lispector, Virginia Woolf e Oscar Wilde. Queria-os ao meu lado agora.
Acabo de descobrir (explosão!), em ritmo de epifania: Mozart me faz querer invadir as páginas de Jane Austen. Um brinde à Genilda, que nos apresentou.
E para onde voam meus pensamentos? Para onde foram as idéias e a inspiração? Minha cama está desforrada e a chuva continua caindo. Já eu, continuo eu, entorpecido de loucura, relaxado e ainda sem gostar do que exige de mim hoje.
No presente dia, de chuva, de frio, se fosse para pedir alguma coisa, pediria um cobertor humano, made of flesh and bones. Pediria a um Cazuza que protegesse "meu nome por amor, em um codinome beija-flor".
Saturday, May 02, 2009
To whom it may concern

Thursday, April 30, 2009
Lá de longe
E também é a distância que machuca e desespera a mente de quem percebe o tempo passando, mas, ainda assim, sente como se os próximos atos da grande peça chamada vida estivessem muito longe de acontecer. Às vezes, a pesquisa atual parece estar muito distante dos projetos futuros. E sempre os projetos futuros parecem mais interessantes. Acredito que a distância, nesses casos, cria expectativa e guarda sempre a possibilidade de um dia mais feliz.
É lá de longe que eu ouço a voz que eu queria que falasse agora ao meu ouvido. É lá de longe que eu vejo as fotos de lugares onde eu desejaria estar (e sempre são bem distantes). É lá de longe que eu sinto o futuro bater a porta (um pseudo longe, já que o futuro está logo ali).
A vida é um túnel. Para alguns não há tempo de haver nada distante. Para outros, tudo está muito longe. O remédio? O equilíbrio? A verdade é que só o tempo pode curar e equilibrar os desejos ardentes de mentes sem ritmo. Mais que isso, o tempo, se Deus quiser, tratará para perto e concederá o status de seu a todos os desejos que vêm de longe.
Mas se fosse para escolher... Eu queria estar longe.
Sunday, April 19, 2009
Relações dialógicas
É ao mesmo tempo engraçado pensar que uma simples linha, ou uma simples frase dita, pode mudar tudo. Pequenas cinco palavras, ou melhor, uma só palavra pode ferir, magoar e decepcionar. Somos muito frágeis frente ao discurso? Seria o discurso algo imóvel que bloqueia nossas ações? Às vezes, algumas palavras ditas não têm a intenção de machucar, mas tomam esse caminho involuntariamente. Não há discurso de um só. Até mesmo para um monólogo há sempre um ouvinte implícito. Como num jogo de pingue-pongue, a palavra é a bolinha que vai para lá e para cá. Os interlocutores são os jogadores; a voz, as raquetes.
A questão parece ser mesmo a forma como as palavras chegarão ao outro, no que tocarão. Se há sempre um ouvinte, deveria haver sempre um filtro entre os interlocutores para impedir que certas palavras capazes de ferir passassem. Mas agora, já não são as pequenas coisas abstratas, nem mesmo o tal filtro. O tal filtro simplesmente não existe.
Thursday, April 02, 2009
Ele apenas sabia as respostas
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É sem dúvida um daqueles filmes que tiram o fôlego e causam ansiedade e excitação. Quem quer ser um milionário? Talvez a pergunta seja "quem não quer ser um milionário?". Afinal, no mundo em que vivemos é cada vez mais difícil tirar o sustento e levar uma vida mais confortável e sem muitas preocupações.
Mas o filme vencedor do Oscar 2009 é muito mais que isso. Não é apenas a luta nossa de cada dia, não é apenas o desejo de uma vida melhor. É um banho de vida - ou um milhão de vida, se soar melhor - em um filme que aparentemente não tem história. Em um flashback eletrizante é possível enxergar muito sobre amor, sobre força, sobre amizade e companheirismo numa intensidade que parece nem mais existir. É, acima de qualquer outra coisa, uma descoberta sobre acreditar e saber aproveitar tudo.
Que bom que Quem quer ser um milionário? ganhou o Oscar. Um Oscar à vida! Um Oscar à excitação, à ansiedade, à emoção que é assistir a este filme.
Comovente, envolvente, intrigante, inteligente! Sinto ainda minhas mãos apertando os braços da poltrona do cinema. Sinto ainda meu coração bater forte a cada pergunta respondida por Jamal (o protagonista do filme) durante o programa de televisão "Who wants to be a millionarie?".
Valeu muito a a pena ir ao cinema ontem.
Monday, March 23, 2009
Meu tempo íntimo

E nesse tempo maluco, que parece correr, é difícil enxergar certos fatos e ser imparcial. É difícil não sentir raiva de certas pessoas, é difícil não ter vertigem após ver o que não se quer ver ou sentir o que não se quer sentir. É curioso como o tempo, todo ocupado em passar rápido, ainda arruma tempo para fazer surpresas!
Decidi há alguns dias que vou escrever. Quero escrever sobre as coisas pequenas, as coisas simples que significam algo para mim. Quero escrever sobre os meus sentimentos desordenados. Talvez eu organize uma publicação.
Escrever um livro de sentimentos e coisas simples torna-se agora um desafio e um desejo meu. Tentarei deixar de lado a minha insegurança quanto a minha qualidade literária e também o meu jeito bagunçado de escrever e guardar meus escritos. Veremos no que isso vai dar, ou melhor, deixemos este projeto nas mãos do Senhor Tempo.
"Tempo, tempo, tempo, tempo, vou te fazer um pedido..."
Saturday, March 14, 2009
Dia da Poesia
(Cecília Meireles)
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias,
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço.
- não sei, não sei. Não se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
Wednesday, March 11, 2009
Feelings
Após meses mergulhando no universo de Jane Austen através do romance Orgulho e Preconceito, finalmente o trabalho está concluído. Foram longas páginas a serem lidas e em cada uma delas estiveram presentes os mais diversos sentimentos. Amor, paixão, respeito, admiração, orgulho e preconceito... Sentimentos que são atuais e que, verdadeiramente, estão intrínsecos ao nosso ser.
Com o término das discussões acerca do romance, ficaram as perguntas soltas no ar: "O que é amor?","O que é casamento?"... Todos tentamos responder perguntas como essas ao longo de nossa curta existência. Às vezes, vivemos um amor, um casamento, um desejo e nem sequer nos damos conta de que era amor, era desejo.
Como foi dito ontem durante os seminários: "não há amor sem admiração". Mas será que amamos todas as pessoas que dizemos admirar? Será que admiramos todas as pessoas que dizemos amar? É tudo tão incoerente. Os sentimentos são incoerentes. Um parece querer passar por cima do outro. Sentimentos se misturam de forma a impedir que identifiquemos cada um em seu individual.
Mas para tudo deve haver um equilíbrio. Essa é uma das lições que tirei da obra de Jane Austen. Equilíbrio! Precisei dele até mesmo para fazer o trabalho escrito, pois para mim, lidar com sentimentos é uma tarefa árdua! Para mim, refletir sobre palavras, olhares, gestos tão enigmáticos e tão carregados de significado é algo extremamente complexo.
Sinto que aprendi muito e que a oportunidade de falar sobre sentimentos, a partir de um texto antigo que se faz contemporâneo, foi crucial. Posso agora afirmar o desejo de "agir da maneira que, em minha opinião, constituirá minha felicidade". Posso dizer que ofensas só podem ser perdoadas caso elas não "mortifiquem o nosso próprio orgulho". E acredito que cada linha lida sobre sentimentos é como uma epifania, que nos faz "a partir daquele momento, nunca mais nos reconhecermos".
Citações: AUSTEN, Jane. Pride and Prejudice.
Thursday, February 26, 2009
Sentimentos e linhas incoerentes
Sentimentos como saudade, desejo, paixão são dos constantes os que mais se fazem inconstantes (ou vice-versa). A saudade dói no peito como uma ferida que nunca cicatriza. Sentir saudades nos faz querer voar e sufocar a dor solitária nos braços dos quais sentimos saudades. Porque um beijo que está longe, um carinho que se banha em outro oceano pode perfeitamente sarar a ferida que a saudade abriu.
Também sentimos saudades do desejo e da paixão. É ruim viver sem esses dois sentimentos. O bom mesmo é tê-los e deles retirar vida. É como desejar ser as cordas do violão que o outro toca. É como apaixonar-se por um único beijo e desejar uma única noite em que o ato completo será consumado.
Mas o engraçado é não compreender muito bem o que se deseja. Não saber o que de fato lhe causa paixão. Sobre a saudade... Não há dúvidas....
Hoje estão a saudade, a paixão e o desejo como causadores de um barulho que vem lá do fundo do coração. Amanhã pode ser que novos sentimentos apareçam, pois, às vezes, muitas coisas acontecem in a little while.
Sunday, February 22, 2009
PS: O trecho que não deve ser esquecido

O filme de 2007, dirigido por Richard LaGravenese e estrelado por Hilary Swank e Gerard Butler conta uma história de amor que poucos acreditam que possa acontecer na vida real. Um homem apaixonado faz do seu último ato de amor o mais inesquecível e especial de todos. Uma mulher cujo coração está em pedaços devido à morte de seu jovem marido recebe a maior prova de amor que ele poderia lhe dar.
O filme mostra, em palavras semelhantes às que foram utilizadas pela protagonista, que a vida é a coisa mais interminavelmente curta. É interminável pela dor que sentimos e é curta porque precisamos dizer adeus a quem mais amamos na vida.
Lágrimas escorrem pelo rosto de quem assiste ao filme para acompanhar as lágrimas de uma mulher de trinta anos que, provavelmente, vê-se diante da morte pela primeira vez. A morte como negação da vida. A morte como uma faca que corta a vida arrancando o que mais nos traz vida: o amor. As lágrimas realmente escorrem por causa de cartas que foram escritas para serem o mais nobre ato de amor. As linhas deixadas por um marido apaixonado, cuja vida fora interrompida por um tumor no cérebro, são para fazer com que uma jovem viúva supere a dor de perder seu amor para a mais invisível e temida adversária: a Sra. Morte. Mas são também para nos fazer esperar o carteiro com a esperança de que cartas de amor também sejam enviadas ao endereço de nosso coração. Eu já me sinto satisfeito com e-mails especialmente escritos a mim...
E como num piscar de olhos, quando você acha que o conteúdo das cartas acabou: "PS: I love you!". É aí que está o trecho mais importante de cada carta. Vem daí aquela vontade de abraçar quem você gosta e fazer com que as palavras deixadas para o post scriptum se tornem o trecho do qual não devemos esquecer jamais.
E eu quase esqueço...
Ps: I miss you!
Wednesday, February 18, 2009
Linhas minhas de um sentimento que vem de longe
Porque o som de cada palavra vai permanecer nos meus ouvidos.
Tuesday, February 17, 2009
Recado para você: à espera da tecla SAP
Friday, February 13, 2009
O que é meu
Minha cabeça dói um pouco. Meu corpo também está meio cansado. Foi preciso uma barra de cereal para não perder os sentidos... Exausto! Vem, então, aquela vontade louca de jogar tudo para o alto, gritar palavrões e entregar uma tarefa que todo mundo sabe que não é sua. Tantas vozes, tanto barulho, tanto desrespeito. Questiono minha profissão e como consequência, questiono meu lugar no mundo.
Hoje eu estou me sentindo vazio. Desejo algo que não está disponível nas prateleiras do supermercado da esquina. Desejo algo que não é fácil, não é simples, não é definido em palavras científicas. Sinto saudades e suspiro por minhas saudades, por minhas lembranças de momentos que significaram uma vida inteira. Sonho à noite, acordo molhado... O corpo parece que vai derreter de tanto suor. Acordado, o corpo está em desequilíbrio.
Queria algo verdadeiro para me apegar. Uma sustentação para os meus dias tontos. Uma direção a seguir... A target to aim in...
Por que é tão complicado, confuso? Dizem para simplificar, dizem para não reclamar. Muito se diz, mas pouco se sente. Tudo é muito subjetivo, individual e meu! Pego de empréstimo, portanto, as palavras de Maysa: "Se meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar".
Tuesday, February 10, 2009
Recipe
Then, keep it on your mind.
Be sure that your heart will keep it too.
Remember the good things whenever you need.
Forget the sorrow, the pain, the tears...
Try to make the end a new way of beginning.
And the most important:
Take all the feelings that make you feel beautiful, warm and delighted as the sweetest souvenirs.
Friday, February 06, 2009
Saudade
Por outro lado, as mudanças e as marcas deixadas não são poucas. Fica também aquela dúvida: "quando nos encontraremos de novo?". Fica o desejo de que o reencontro não demore tanto. Ansiedade... Guardadas estão as melhores lembranças (enfim a curta duração revela suas vantagens: não houve tempo para lembranças ruins!). Todas as lembranças são as melhores e só dói lembrar daquele abraço apertado de despedida, num saguão quase vazio e com um portão de embarque ao fundo. Fica guardado o toque, o gosto do beijo, o cheiro... Fica tudo gravado numa pele, numa memória e num coração que há muito não sentia batidas tão harmoniosas. Com os olhos ardendo, com a boca ressecada, com as mãos frias e com um corpo em desequilíbrio, tudo o que sinto é saudade.
Sunday, February 01, 2009
Erupção de vida
Esses dias têm sido mágicos, surpreendentes e determinantes para que certas coisas mudem para sempre em minha vida. São ondas que vêm do Pacífico e me envolvem... Ondas que esquentam o meu corpo frio. Um banho de vida, de desejo, de sentir-se desejado. É também, de um outro lado, um passado que num piscar de olhos se transforma em um presente tão rápido quanto a luz. Tão rápido que não há tempo para pensar. Mas enfim, sinto que estou envelhecendo, o passado já existe e já está voltando para cobrar o presente. Pode ser que o passado esteja agora encerrado e guardado junto com uma boa recordação, ou, pode ser que ele ainda volte um dia. Alguém do passado, não se preocupe, tudo acontece como tem que ser. Há agora um segredo entre nós.
Pensar no passado por um instante me fez esquecer que meu California Dream está indo embora... Mas eu já sabia que seria assim. A vida dá com uma mão e tira com a outra. Tudo tem que voltar ao seu rumo. As águas do rio da vida precisam correr por estreitos canais que, às vezes, são repletos de pedras. Guardo você no coração, na mente, no corpo... I'll take everything as one of the sweetest memories.
Amanhã a vida voltará ao normal, mas não será mais a mesma coisa. Há coisas que acontecem em um segundo e mudam tudo para sempre. O adeus é difícil, mas é necessário para que a vida siga seu rumo e, com sorte, nossos destinos se cruzarão muitas outras vezes e nos colocará frente a frente. Só Deus sabe quando nos veremos de novo, mas guardarei aquecida a lembrança de maravilhosos dias em que minhas mãos estiveram aquecidas. As you said: "Cold hands, warm heart".
O que eu posso dizer para encerrar este texto é: "Estou vivo! Sinto isto! A despeito de dores, de angústias, de dificuldades... Quero viver, preciso viver. Espero que a vida me traga sempre essas surpresas dos lugares mais inesperados. Vou tentar não esperar tanto, vou tentar não reclamar tanto".
Wednesday, January 28, 2009
California Dream
Tudo isso me faz querer mergulhar em águas do Pacífico...
Sunday, January 25, 2009
Um desabafo
Não acho as palavras, não tenho insights. Sinto sono quando vejo os papéis e, até mesmo quando me decido a produzir, meu corpo parece querer desistir. É isso! Acho que estou querendo desistir. E esse sentimento tem muito mais a ver com a Literatura que com a exatidão abstrata da Linguística. Desistir, a imagem de alguém desistindo me parece poesia. A forma como me sinto, a forma como minhas sensações se encontram me parece poesia.
É incômodo saber que preciso fazer algo que no meu íntimo não queria, ou que pelo menos não me sinto em condições ideais para fazer.
Sunday, January 18, 2009
Sobre o não dizer
Um outro agravante para o não dizer é o medo da reação de quem vai ouvir. É difícil lidar com a rejeição, pior ainda quando se trata de ter as suas palavras tão preciosas rejeitadas e negadas por um seco e curto não. Mas o que fazer com as falas cuidadosamente pensadas e medidas por nossas mentes? Os sons querendo sair, mas os lábios fechados como se ali existisse uma camada de velcro. Angustiante a sensação de querer dizer e não conseguir.
Algumas pessoas bebem para se encher de coragem, eu também beberia se não tivesse que dirigir... Mas em certos momentos é tão fácil falar. Acho que também depende de quem vai ouvir. O previsível torna-se um campo seguro para as palavras caminharem. Entretanto, não podemos nos esquecer das surpresas do previsível.
Termino com um desejo e um pedido. Desejo conseguir dizer sempre, da melhor maneira, da mais polida e clara maneira dizer o que meus sentimentos produzem. E peço que tudo seja dito, pois as palavras não ditas podem nos ferir eternamente.
Sunday, January 04, 2009
Paradoxo Íntimo
Acredito que estou meio "Álvares de Azevedo". Assim como ele, estou assumindo duas faces: Ariel e Caliban. O meu Ariel busca a tranquilidade, as coisas amenas. Mas meu Caliban só quer saber de fogo, do mais tórrido desejo.
Por fim, tudo está misturado. É tudo confusão como um anjo que não sabe se preserva a luz da paz ou se peca entregando-se aos desejos da carne.
Wednesday, December 31, 2008
Um brinde aos próximos 365 dias

Tantas coisas aconteceram. Foram sorrisos de vontades incontroláveis de sorrir. Foram muitas lágrimas que jorraram de olhos que não sabiam como não derramar seus rios. Ganhos e perdas, como sempre. Em alguns momentos a alegria não pôde ser contida. Houve também aqueles instantes em que o chão parecia se abrir para engolir os corpos que sobre ele tentavam se movimentar.
Perdi momentos mal aproveitados, perdi dinheiro com gastos desnecessários ou imprevistos. Perdi um relacionamento que agora está no passado. Perda difícil, pois nunca é fácil enxergar o fim! E também não foi fácil enxugar as lágrimas da mais dolorosa perda que esse ano trouxe. Ainda não é fácil lembrar e não sentir o queixo tremer. Mas que ela, a querida Maria, descanse em paz!
Conheci pessoas interessantes também. A forma de pensar sobre determinados assuntos mudou. Descobri a constante mutação. Amor já não é tudo e há sentimentos que vêm e têm o direito de vir, pois são algo do próprio ser. E como é gostoso falar sobre sentimentos com Maíra, Raíra e Isabel. Falar como ontem durante o jantar na casa de Isabel. Quantas cavilações! A começar pela redescoberta deste termo tão antigo. Mas não é bom olhar as antiguidades, Áurea?
2008 viu gritos e ouviu discussões. E daí vem o entendimento de que não é simples a tarefa de conviver com outras pessoas. Ainda assim, continuo gostando de gente, principalmente pessoas estranhas no melhor estilo Closer.
"Hello stranger!" também define a entrada rápida de alguém em uma vida que precisava sentir paixão. O ano começou com amor e termina com uma paixão incerta e, como sempre, complicada.
Reuniões e trabalhos na última hora com Marianne, a orientadora que orienta depois de desorientar. Correria, muita correria. Aulas para dar e aulas para assistir. Despedida de alunos queridos e pela primeira vez na vida de um jovem professor, a sensação maravilhosa de dever cumprido.
E quanta comida, hein?! Jantares, almoços, lanches rápidos. Desde um aniversário comemorado num restaurante chinês a um desejo de comer sushi que vai ficar para 2009. Andressa pediu Mc Donalds em seu aniversário. Eu também comi batata frita no Bebe blues...
Houve também as leituras que deixaram marcas neste coração. Desde uma insustentável leveza do ser ao conhecimento da Macabéa de Clarice Lispector em A hora estrela. E também filmes. O cinema este ano foi para mim algo que poderia ter sido mais. Não que os filmes tenham sido de má qualidade, mas é que eu queria ter ido mais ao cinema.
E no mundo, muita tristeza marcou 2008. A violência e a falta de amor destruiu muitas coisas verdadeiras. Chega a ser difícil acreditar no futuro. Todos precisamos mudar. Todos precisamos ser mais honestos com nossos sentimentos, pois o tempo está passando muito rápido.
Assim, entre idas e vindas, mais um ano se vai. Que venha o próximo. Aguardo um ano no qual muita coisa importante está para acontecer. Que seja bom e feliz como o sorriso do meu afilhado Igor! Sinto-me mais leve agora, o peso de 2008 já se foi quase que por completo. Resta pouco sobre minhas costas. Feliz Ano Novo!
Sunday, December 28, 2008
Relacionamentos antigos
Nada é para sempre, tudo termina e, por isso, é preciso aceitar que mesmo os relacionamentos que queremos que durem para sempre um dia se transformarão em passado. E o amor também não é tudo, é preciso mais para ser feliz ao lado de alguém.
Thursday, December 25, 2008
Feliz Natal
Mas onde estão aqueles sentimentos puros e serenos? Onde ficou o amor? Talvez esteja escondido nos pacotes de presentes. Talvez esteja dentro de cada presente trocado.
Particularmente, não sinto mais a magia desta data que todos acreditam ser mágica. Não sinto mais aquela sensação de ter sinos, assim como os que tocam nas matrizes, dentro de mim. Bate o sino na matriz, mas em mim não bate mais. Talvez isto seja ruim. Mas eu sei que estou bem e isso realmente importante. Por maiores difíceis que sejam alguns dias, por mais duros que sejam alguns momentos, eu sei que tudo tem uma essência que é boa, que é verdadeira. Há em tudo a possibilidade de se extrair um bom sumo. Acreditemos!
Feliz Natal!
Friday, December 19, 2008
A comer com os olhos

Restaurantes são, portanto, um lugar muito bom para que eu possa me deliciar com a imagem de pessoas comendo. Ontem até tive o prazer de ver alguém (que chamou a minha atenção pela beleza) comer de uma forma delicada e forte, com a face dançando... Que lindo!
Pode parecer loucura isso de gostar de observar pessoas comendo. O ato de comer envolve a boca, e, das partes que compõem a face, depois dos olhos, a boca é a mais atraente para mim. O modo como a boca se mexe desperta a minha atenção. Gosto de ver pessoas com boa dicção falarem e tenho prazer ao ver pessoas comendo como descrevi há pouco. É esse prazer que me deixa interessado e pode ser um dos motivos que fazem surgir em mim a vontade de experimentar a sobremesa com quem comeu e fisgou o meu olhar.
Thursday, December 18, 2008
Por estar perto demais
Estar perto demais pode significar ver as coisas de uma maneira sóbria, com os olhos de alguém que viveu, que amou, que sentiu até onde não se pode mais sentir. Estar perto demais é intenso e mexe com as idéias... Seria, então, estar perto demais a mesma coisa que estar no limite da loucura? Talvez não, pois estar perto demais tem a ver com sanidade.
E, de fato, é maravilhoso estar perto demais. Poder sentir o coração do outro quando se está perto demais no sentido físico. Sentir o pensamento e compreender o que o outro sente quando se está perto demais no sentido emocional. E para os mais variados sentidos estar perto demais vem de um momento que passa a significar muito. Vem de um abraço de ano novo ou de um voto de feliz Natal.
Estar perto demais vem de uma conversa, que vem de um filme, que vem de um plano...
O que na tela era Closer me pôs perto demais, mesmo que por pequenos minutos, de quem eu mais queria estar perto.
Wednesday, December 17, 2008
Para não ficar sem palavras...
Feliz 21, Dessa! O tempo está passando... Que bom! Melhor ainda (re)descobrir a todas as manhãs a beleza que tem o nascer do sol e enxergar a vida sempre com os olhos de uma pessoa que viveu, vive e deseja viver (sempre intensamente, não se esqueça!).
O mais carinhoso dos abraços...
Wednesday, December 10, 2008
Dia melódico
Dedicado a Áurea (pelo bilhete)
Hoje vivi um dia muito agradável. A chuva parece ter contido o calor que vinha maltratando os dias de todos. Sinto-me repleto de um sentimento que não sei descrever, mas que me inunda como há tempos não inundava. Apesar de terem batido no meu carro, me sinto bem. Apenas a placa foi amassada, sem maiores problemas, graças aos poderes superiores.
Descobri esses dias a banda Beirut. Gostei muito da mistura que eles fazem entre o folk e ritmos característicos da música do leste Europeu. As músicas são suaves, doces... A melodia faz o corpo ir, caminhar mansamente, e dá vontade de dançar. Para ser sincero, ainda não reparei nas letras, até agora estou preso na melodia.
Foi com a melodia na mente e com o barulho da chuva que eu acordei hoje de manhã. Tinha algo suave no ar, “verdadeiro e sumarento”, utilizando palavras de Clarice Lispector
Acreditei muito também no trabalho, dei aula pela manhã e à tarde. Não almocei em casa, passei o dia ocupado, mas com um sentimento de satisfação. Talvez seja o fato de que o ano está acabando. Essa coisa de fim de ano mexe muito comigo. Tem para mim um significado muito forte. É um ciclo que termina e anuncia um outro. É a dúvida e a possibilidade de sucesso, surpresa, amor... Que não venham lágrimas, pois no ano que termina eu perdi muito, e perdi algo que nenhum ganho pode cobrir.
Mas o que interessa é o dia de hoje. São algumas opiniões em constante mutação que dão sentido as linhas que escrevo. Ontem só pensava em instinto, e hoje eu queria um abraço. Abraço não é instinto, é o primeiro encontro íntimo de dois corpos, pois põe os corações em contato, ainda que por debaixo da pele. Abraço é pele, mas não é instinto.
O que também mudou foi a sensação térmica. Num relance, o frio passou e o corpo esquentou de novo. Isso é reação química. É paixão. Há pessoas que fazem seu corpo esquentar, enquanto suas mãos esfriam feito gelo. Se fosse para as mãos frias, a desculpa seria o “coitado” do vento, mas e para o calor?...
Está bem! Tudo está bem e espero que continue bem. Quero mais dias como esse (mas sem placa amassada). Quero digressões como as de hoje. Quero abraços... Quero um abraço
Monday, December 08, 2008
Despidos

Se houve prazer, a pele agradece e os dias tendem a ficar mais tranqüilos.
Wednesday, December 03, 2008
Tá quente ou tá frio?
Esses dias minha prima adolescente baixou no meu computador a música Hot and Cold de Katty Perry. A música me parece apenas mais um desabafo adolescente de um garota deixada por seu namorado, mas o título...
Hoje eu estava voltando para casa às dez e meia da noite, pouquíssimos carros na rua, e de repente me lembrei do título dessa música. Percebi que ele muito tem a dizer (assim como todas as antíteses) sobre como a vida é construída. Tudo em uma balança que, às vezes pesa mais para um lado; às vezes, mais para o outro.
Pode ser, no que diz respeito ao sentir físico, o calor insuportável de uma tarde quente (tal qual a de hoje aqui na cidade) como o hot em questão, e, como o cold, a friozinho agradável da sala de aula (na qual o ar-condicionado é muito mais interessante que a aula propriamente dita). De repente a transição: calor - frio. Fácil, simples assim! Rápido!
Se é para falar de sentir psicológico... Nossa! Parece-me, em certas ocasiões, que o fogo que existe dentro de mim vai me levar à loucura! É o calor da vontade. Em outros momentos, quando algo não vai bem, bate um frio que atinge o âmago e congela a alma. É, talvez, a falta de vontade.
Pode ser também o calor com que certas palavras saem da boca de alguém e levam uma sensação hot para o corpo do outro. E, de outro lado, pode ser o frio das palavras não pronunciadas que faz com que a boca de alguém pareça uma pedra de gelo, enquanto um corpo se petrifica à espera de estímulos de um outro que, ironicamente, está cold.
Então já chega, prefiro o hot do café de minha mãe e o cold de uma coca-cola bem gelada.
Saturday, November 29, 2008
Um brinde de frase soltas a um corpo de esperança
E a esperança entra no carro e juntos os dois seguem sob uma atmosfera suave. Enquanto um dá o assunto da conversa; o outro se esforça para não errar a marcha do carro. Enquanto um fala mansamente e com propriedade sobre os assuntos que insere à conversa; o outro pensa em como seria perfeito se os dois corpos se unissem e se fizessem apenas um.
Uma esperança de paixão é o que entra pelos vidros abertos do carro, inundando tudo com a adrenalina que parte do corpo de um que se pergunta se também é adrenalina o que o outro exala. Os dois se olham por diversas vezes, um escuta os comentários do outro sobre arquitetura e sobre "politicagem". As vozes de ambos teimam em denunciar aquele "climinha" de um jogo de paixão no qual não há vencedor, mas apenas duas pessoas inteligentes o suficiente para lançar perguntas e comentários cada vez mais perspicazes. Como numa partida de pingue-pongue, enquanto um comenta o gosto do outro pelas saladas; o outro, por sua vez, comenta as mãos frias de um que não sabe onde pôr as mãos geladas e põe a culpa no vento. Coitado do vento...
Nenhum dos dois tem idéia de onde isso pode chegar, de qual será o desfecho dessa história apaixonante, excitante, perigosa. O que importa, na verdade, é que para um o sopro de esperança em uma paixão vem e o eleva... Coloca-o no ponto mais alto e lhe dá o direito de repetir mais uma vez a fala de Lisa do filme Paixão à Flor da Pele (Wicker Park): "... I feel beautiful tonight...". E de fato, indeed, ele se sentiu belo, extremamente belo, pois o cheiro de paixão no ar o deixava à flor da pele.
Wednesday, November 26, 2008
Um brinde de frases soltas a um corpo vazio
Um telefone que não aguenta mais esperar para tocar, uma caixa de mensagens quase vazia (vazia, se não fosse as mensagens da operadora!!!). Músicas tocando... Against all odds, The blower's daughter e por aí vai... Um sono que não é apenas um descanso, mas também a fuga de uma realidade que não parece colorida. Um capítulo da história que teima em ser escrito em preto e branco. Mas se ao menos houvesse Charles Chaplin...
Um coração que espera e precisa, uma mente que sonha e um corpo que arde de tanto sentir frio. Se fosse num circo, o palhaço estaria sem picadeiro e o trapezista não teria mais seu trapézio. E não haveria equilibrista!
É como um vento frio num dia de brisa ou como muito calor num dia de verão. É a neve que insiste em cair num inverno frio. Mas se ao menos o setting fosse Nova York...
Gritos abafados, lágrimas presas, abraços soltos, beijos desencontrados. O in sem o out. Como sentimentos causam tanto estrago? Como pode não haver cor num filme tão criativo?
Um jardim sem flores ou simplesmente um sujeito separado por vírgula de seu predicado.
Ou talvez, letras desejando uma bela frase que lhes traga a segurança que somente algumas palavras podem dar.
Wednesday, November 19, 2008
Aceita um chocolate?
Thursday, November 13, 2008
Cem vezes com sentimentos
Sunday, November 02, 2008
Shakespeare que estava certo
Como no mito do eterno retorno
Saturday, October 04, 2008
Metáforas
Tuesday, September 30, 2008
Fluxo de vida
Sunday, September 28, 2008
Surpresas
Wednesday, September 03, 2008
Hoje
Wednesday, August 06, 2008
Conversa Vitoriana de Padaria
De fato, o diálogo da mãe com as filhas revela muito sobre o comportamento, sobre os tabus existentes naquela época. O que, entretanto, é mais interessante é o modo como os resquícios da Vitorian Age ainda estão presentes nos nossos dias.
Quando cheguei ao caixa da padaria, esta tarde, cumprimentei a funcionária (já velha conhecida, pois há anos compro pão nesta padaria) com um “tudo bem?”. O cumprimento costumeiro, hoje, e talvez várias outras vezes, foi seguido pelo meu comentário: “Este tempo maluco; ora faz sol, ora chove!”. Isso não lembra o que a mãe disse às filhas em Razão e Sensibilidade? Não poderia eu estar na mesma cena? Não! Eu não poderia estar lá, pois o filme é ambientado entre o fim do século XIX e o início do século XX – não lembro ao certo –, e eu, eu vivo no presente século XXI.
Mas enfim, o que tudo isso me disse foi que o presente tem mais do passado do que nós podemos imaginar. O presente é uma releitura de um passado e será relido por um futuro próximo. Estamos presos ao passado – é inevitável – e o nosso futuro estará preso ao presente de hoje.
Talvez seja hora de cuidar do presente e de tentar resgatar e guardar com carinho o passado que, ao contrário do que imaginamos, não está tão distante. Até quando se falará sobre o tempo quando não se tiver sobre o que falar?
Monday, August 04, 2008
Presentes
Queria os beijos que o mundo pode dar e os abraços do Universo.
Queria uma epifania, queria uma fada madrinha, queria um sorvete de menta com chocolate.
Queria tudo, e nada.
Queria aquelas quatro letrinhas que deixam a pele mais bonita...
De véspera
Como sempre morei aqui, quando criança o dia era mágico, ou mágica era idéia de não ter que ir à escola. Eu ficava em casa, podia brincar com todos os brinquedos da minha caixinha. E também podia aproveitar os novos brinquedos que estavam chegando naquele dia. Eu via cada brigadeiro ser enrolado. Via o bolo de chocolate com cobertura de chocolate e, no fim da tarde, os parabéns. A família em volta da mesa para celebrar nada, mas a mim!
Os anos se passaram e, já não mais criança, a magia do aniversário de certo modo ainda existia. A ansiedade podia não ser a mesma, mas ela ainda estava ali. Mas foram anos, são anos que me separam daquela infância onde tudo era lúdico, tudo era celebração. Perdas, desavenças, angústias, frustrações... Tudo isso foi me levando embora as velhas borboletas que passeavam pelo meu estômago nos dias que antecediam o meu aniversário. Lá, o dia era marcado no calendário antes mesmo de o ano começar; cá, não vejo marcas na folhinha de agosto do meu calendário. Mas por que tudo mudou?
Hoje, me encontro à véspera de mais um aniversário. Não posso mentir e dizer que não me sinto um pouco ansioso. Sou egocêntrico e é bom ser o centro das atenções. Serão ligações, e-mails, scraps (que por sinal me aborrecem, pois acho fria essa forma de orkut-parabenizar). O dia ainda parará, ainda moro em João Pessoa...
Há dias e também agora, me sinto um pouco deprimido, nostálgico talvez. Por que lembrar de tudo em um único dia? Isso é tão Mrs. Dalloway... Mas não, ao contrário da personagem de Virginia Woolf, eu não queria dar uma festa e nem comprar eu mesmo as flores. Também não sei o que queria (a cada ano que passa tenho mais certeza de que sobre nada tenho certeza). A cada nova idade, tudo parece mais claro, ou seja, enxergo com os olhos mais velhos que tudo é incerto, que tudo tem dois lados.
Mas que bom! É verdadeiramente bom saber que, apesar de tudo, você está vivo e que, ainda que seja muito difícil acreditar, a esperança sempre existe, pois sempre existirá a possibilidade de se ser mais feliz; ou não.
Sunday, July 20, 2008
A vida é poesia
Tuesday, July 08, 2008
Ainda sobre saudade

Verdade, sinto saudades de muitas coisas vividas naquele tempo: um tempo em que os problemas não eram tantos, as obrigações eram menores e a vida, embora parecesse complexa, era bem mais fácil de ser vivida. Sinto saudades dos corredores daquele lugar, das pessoas, das conversas tolas, sem proveito. Sinto saudades dos cochilos na aula de Física, da interação nas aulas de Português. Sinto saudades das aulas que matava pelos corredores que só agora percebo como eram amados.
Vivi tudo intensamente, senti com todo o meu coração a paixão por alguém que hoje apareceu-me pelo retrovisor. Oh! tolices de um jovem apaixonado que nem sabia o que era o amor.
Não! Não quero reviver paixões do passado, mas me sinto um tanto quanto cansado do meu presente tumultoado. Cansaço por ter que cuidar de mim mesmo, com responsabilidades que naquele tempo pensei que não existissem. Mas a vida é curta, o tempo passa e as saudades vêm. E tudo, um dia, vai passar para sempre.
Monday, July 07, 2008
Encontrei a saudade!
Saudade
Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado
que ainda não passou,
é recusar um presente que
nos machuca, é não ver o futuro
que nos convida...
Saudade é sentir que existe
o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
"aquela que nunca amou."
E esse é o maior dos sofrimentos:
Não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido...
Pablo Neruda
Monday, June 30, 2008
Epifania definitiva
Thursday, June 12, 2008
Thursday, June 05, 2008
Cheers!

Today
Mas ainda há muito gelo se derretendo dentro das veias da alma...
Wednesday, June 04, 2008
Porque já não há
E a névoa? Ela está cobrindo tudo, tirando a visão e todos os outros sentidos estão perturbados. Não se sente o cheiro das manhãs, não se sente o gosto do chocolate, não se ouve a melodia do vento, não se sente a textura da face amada, não se vê mais o brilho da lua.
Também não sei se haverá primavera, pois as plantas parecem não querer se mover. Os galhos secos apenas gritam, com vozes desesperadas, e imploram, ardentes e congelados, que algum raio os parta de uma vez. E os gritos ecoam... Tão forte que se ainda houvesse audição, certamente os tímpanos explodiriam.
E já não há xícaras de café deixadas sobre a mesa, não há folhas espalhadas por uma mesa de madeira velha, não há sons, não há desejos, não há súplicas ou declarações de um amor eterno. Não há nada de real porque só ficaram as fantasias de uma primavera florida, de uma mesa de madeira nova com as belas flores postas no mais belo vaso de porcelana... Ficaram fantasias de flores que nunca serão compradas.
Sunday, April 06, 2008
Ausência
Friday, March 28, 2008
Língua Viva
Não conheço ou não entendo? Há estratégias de leitura? Não sei de onde vem a morfologia, a fonologia, nem tão pouco compreendo os campos semânticos desta de língua cuja fonética é tão irregular.
Suplico-lhes, tão grandes teóricos da linguagem, que desvendem a misteriosa sintaxe do amor.
Friday, March 21, 2008
Melancolia em Recife
Thursday, February 14, 2008
Piloto automático de mim
Tuesday, February 05, 2008
Adeus
Soneto de separação
(Vinicius de Moraes)
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

