Tudo isso me faz querer mergulhar em águas do Pacífico...
Wednesday, January 28, 2009
California Dream
Tudo isso me faz querer mergulhar em águas do Pacífico...
Sunday, January 25, 2009
Um desabafo
Não acho as palavras, não tenho insights. Sinto sono quando vejo os papéis e, até mesmo quando me decido a produzir, meu corpo parece querer desistir. É isso! Acho que estou querendo desistir. E esse sentimento tem muito mais a ver com a Literatura que com a exatidão abstrata da Linguística. Desistir, a imagem de alguém desistindo me parece poesia. A forma como me sinto, a forma como minhas sensações se encontram me parece poesia.
É incômodo saber que preciso fazer algo que no meu íntimo não queria, ou que pelo menos não me sinto em condições ideais para fazer.
Sunday, January 18, 2009
Sobre o não dizer
Um outro agravante para o não dizer é o medo da reação de quem vai ouvir. É difícil lidar com a rejeição, pior ainda quando se trata de ter as suas palavras tão preciosas rejeitadas e negadas por um seco e curto não. Mas o que fazer com as falas cuidadosamente pensadas e medidas por nossas mentes? Os sons querendo sair, mas os lábios fechados como se ali existisse uma camada de velcro. Angustiante a sensação de querer dizer e não conseguir.
Algumas pessoas bebem para se encher de coragem, eu também beberia se não tivesse que dirigir... Mas em certos momentos é tão fácil falar. Acho que também depende de quem vai ouvir. O previsível torna-se um campo seguro para as palavras caminharem. Entretanto, não podemos nos esquecer das surpresas do previsível.
Termino com um desejo e um pedido. Desejo conseguir dizer sempre, da melhor maneira, da mais polida e clara maneira dizer o que meus sentimentos produzem. E peço que tudo seja dito, pois as palavras não ditas podem nos ferir eternamente.
Sunday, January 04, 2009
Paradoxo Íntimo
Acredito que estou meio "Álvares de Azevedo". Assim como ele, estou assumindo duas faces: Ariel e Caliban. O meu Ariel busca a tranquilidade, as coisas amenas. Mas meu Caliban só quer saber de fogo, do mais tórrido desejo.
Por fim, tudo está misturado. É tudo confusão como um anjo que não sabe se preserva a luz da paz ou se peca entregando-se aos desejos da carne.
Wednesday, December 31, 2008
Um brinde aos próximos 365 dias

Tantas coisas aconteceram. Foram sorrisos de vontades incontroláveis de sorrir. Foram muitas lágrimas que jorraram de olhos que não sabiam como não derramar seus rios. Ganhos e perdas, como sempre. Em alguns momentos a alegria não pôde ser contida. Houve também aqueles instantes em que o chão parecia se abrir para engolir os corpos que sobre ele tentavam se movimentar.
Perdi momentos mal aproveitados, perdi dinheiro com gastos desnecessários ou imprevistos. Perdi um relacionamento que agora está no passado. Perda difícil, pois nunca é fácil enxergar o fim! E também não foi fácil enxugar as lágrimas da mais dolorosa perda que esse ano trouxe. Ainda não é fácil lembrar e não sentir o queixo tremer. Mas que ela, a querida Maria, descanse em paz!
Conheci pessoas interessantes também. A forma de pensar sobre determinados assuntos mudou. Descobri a constante mutação. Amor já não é tudo e há sentimentos que vêm e têm o direito de vir, pois são algo do próprio ser. E como é gostoso falar sobre sentimentos com Maíra, Raíra e Isabel. Falar como ontem durante o jantar na casa de Isabel. Quantas cavilações! A começar pela redescoberta deste termo tão antigo. Mas não é bom olhar as antiguidades, Áurea?
2008 viu gritos e ouviu discussões. E daí vem o entendimento de que não é simples a tarefa de conviver com outras pessoas. Ainda assim, continuo gostando de gente, principalmente pessoas estranhas no melhor estilo Closer.
"Hello stranger!" também define a entrada rápida de alguém em uma vida que precisava sentir paixão. O ano começou com amor e termina com uma paixão incerta e, como sempre, complicada.
Reuniões e trabalhos na última hora com Marianne, a orientadora que orienta depois de desorientar. Correria, muita correria. Aulas para dar e aulas para assistir. Despedida de alunos queridos e pela primeira vez na vida de um jovem professor, a sensação maravilhosa de dever cumprido.
E quanta comida, hein?! Jantares, almoços, lanches rápidos. Desde um aniversário comemorado num restaurante chinês a um desejo de comer sushi que vai ficar para 2009. Andressa pediu Mc Donalds em seu aniversário. Eu também comi batata frita no Bebe blues...
Houve também as leituras que deixaram marcas neste coração. Desde uma insustentável leveza do ser ao conhecimento da Macabéa de Clarice Lispector em A hora estrela. E também filmes. O cinema este ano foi para mim algo que poderia ter sido mais. Não que os filmes tenham sido de má qualidade, mas é que eu queria ter ido mais ao cinema.
E no mundo, muita tristeza marcou 2008. A violência e a falta de amor destruiu muitas coisas verdadeiras. Chega a ser difícil acreditar no futuro. Todos precisamos mudar. Todos precisamos ser mais honestos com nossos sentimentos, pois o tempo está passando muito rápido.
Assim, entre idas e vindas, mais um ano se vai. Que venha o próximo. Aguardo um ano no qual muita coisa importante está para acontecer. Que seja bom e feliz como o sorriso do meu afilhado Igor! Sinto-me mais leve agora, o peso de 2008 já se foi quase que por completo. Resta pouco sobre minhas costas. Feliz Ano Novo!
Sunday, December 28, 2008
Relacionamentos antigos
Nada é para sempre, tudo termina e, por isso, é preciso aceitar que mesmo os relacionamentos que queremos que durem para sempre um dia se transformarão em passado. E o amor também não é tudo, é preciso mais para ser feliz ao lado de alguém.
Thursday, December 25, 2008
Feliz Natal
Mas onde estão aqueles sentimentos puros e serenos? Onde ficou o amor? Talvez esteja escondido nos pacotes de presentes. Talvez esteja dentro de cada presente trocado.
Particularmente, não sinto mais a magia desta data que todos acreditam ser mágica. Não sinto mais aquela sensação de ter sinos, assim como os que tocam nas matrizes, dentro de mim. Bate o sino na matriz, mas em mim não bate mais. Talvez isto seja ruim. Mas eu sei que estou bem e isso realmente importante. Por maiores difíceis que sejam alguns dias, por mais duros que sejam alguns momentos, eu sei que tudo tem uma essência que é boa, que é verdadeira. Há em tudo a possibilidade de se extrair um bom sumo. Acreditemos!
Feliz Natal!
Friday, December 19, 2008
A comer com os olhos

Restaurantes são, portanto, um lugar muito bom para que eu possa me deliciar com a imagem de pessoas comendo. Ontem até tive o prazer de ver alguém (que chamou a minha atenção pela beleza) comer de uma forma delicada e forte, com a face dançando... Que lindo!
Pode parecer loucura isso de gostar de observar pessoas comendo. O ato de comer envolve a boca, e, das partes que compõem a face, depois dos olhos, a boca é a mais atraente para mim. O modo como a boca se mexe desperta a minha atenção. Gosto de ver pessoas com boa dicção falarem e tenho prazer ao ver pessoas comendo como descrevi há pouco. É esse prazer que me deixa interessado e pode ser um dos motivos que fazem surgir em mim a vontade de experimentar a sobremesa com quem comeu e fisgou o meu olhar.
Thursday, December 18, 2008
Por estar perto demais
Estar perto demais pode significar ver as coisas de uma maneira sóbria, com os olhos de alguém que viveu, que amou, que sentiu até onde não se pode mais sentir. Estar perto demais é intenso e mexe com as idéias... Seria, então, estar perto demais a mesma coisa que estar no limite da loucura? Talvez não, pois estar perto demais tem a ver com sanidade.
E, de fato, é maravilhoso estar perto demais. Poder sentir o coração do outro quando se está perto demais no sentido físico. Sentir o pensamento e compreender o que o outro sente quando se está perto demais no sentido emocional. E para os mais variados sentidos estar perto demais vem de um momento que passa a significar muito. Vem de um abraço de ano novo ou de um voto de feliz Natal.
Estar perto demais vem de uma conversa, que vem de um filme, que vem de um plano...
O que na tela era Closer me pôs perto demais, mesmo que por pequenos minutos, de quem eu mais queria estar perto.
Wednesday, December 17, 2008
Para não ficar sem palavras...
Feliz 21, Dessa! O tempo está passando... Que bom! Melhor ainda (re)descobrir a todas as manhãs a beleza que tem o nascer do sol e enxergar a vida sempre com os olhos de uma pessoa que viveu, vive e deseja viver (sempre intensamente, não se esqueça!).
O mais carinhoso dos abraços...
Wednesday, December 10, 2008
Dia melódico
Dedicado a Áurea (pelo bilhete)
Hoje vivi um dia muito agradável. A chuva parece ter contido o calor que vinha maltratando os dias de todos. Sinto-me repleto de um sentimento que não sei descrever, mas que me inunda como há tempos não inundava. Apesar de terem batido no meu carro, me sinto bem. Apenas a placa foi amassada, sem maiores problemas, graças aos poderes superiores.
Descobri esses dias a banda Beirut. Gostei muito da mistura que eles fazem entre o folk e ritmos característicos da música do leste Europeu. As músicas são suaves, doces... A melodia faz o corpo ir, caminhar mansamente, e dá vontade de dançar. Para ser sincero, ainda não reparei nas letras, até agora estou preso na melodia.
Foi com a melodia na mente e com o barulho da chuva que eu acordei hoje de manhã. Tinha algo suave no ar, “verdadeiro e sumarento”, utilizando palavras de Clarice Lispector
Acreditei muito também no trabalho, dei aula pela manhã e à tarde. Não almocei em casa, passei o dia ocupado, mas com um sentimento de satisfação. Talvez seja o fato de que o ano está acabando. Essa coisa de fim de ano mexe muito comigo. Tem para mim um significado muito forte. É um ciclo que termina e anuncia um outro. É a dúvida e a possibilidade de sucesso, surpresa, amor... Que não venham lágrimas, pois no ano que termina eu perdi muito, e perdi algo que nenhum ganho pode cobrir.
Mas o que interessa é o dia de hoje. São algumas opiniões em constante mutação que dão sentido as linhas que escrevo. Ontem só pensava em instinto, e hoje eu queria um abraço. Abraço não é instinto, é o primeiro encontro íntimo de dois corpos, pois põe os corações em contato, ainda que por debaixo da pele. Abraço é pele, mas não é instinto.
O que também mudou foi a sensação térmica. Num relance, o frio passou e o corpo esquentou de novo. Isso é reação química. É paixão. Há pessoas que fazem seu corpo esquentar, enquanto suas mãos esfriam feito gelo. Se fosse para as mãos frias, a desculpa seria o “coitado” do vento, mas e para o calor?...
Está bem! Tudo está bem e espero que continue bem. Quero mais dias como esse (mas sem placa amassada). Quero digressões como as de hoje. Quero abraços... Quero um abraço
Monday, December 08, 2008
Despidos

Se houve prazer, a pele agradece e os dias tendem a ficar mais tranqüilos.
Wednesday, December 03, 2008
Tá quente ou tá frio?
Esses dias minha prima adolescente baixou no meu computador a música Hot and Cold de Katty Perry. A música me parece apenas mais um desabafo adolescente de um garota deixada por seu namorado, mas o título...
Hoje eu estava voltando para casa às dez e meia da noite, pouquíssimos carros na rua, e de repente me lembrei do título dessa música. Percebi que ele muito tem a dizer (assim como todas as antíteses) sobre como a vida é construída. Tudo em uma balança que, às vezes pesa mais para um lado; às vezes, mais para o outro.
Pode ser, no que diz respeito ao sentir físico, o calor insuportável de uma tarde quente (tal qual a de hoje aqui na cidade) como o hot em questão, e, como o cold, a friozinho agradável da sala de aula (na qual o ar-condicionado é muito mais interessante que a aula propriamente dita). De repente a transição: calor - frio. Fácil, simples assim! Rápido!
Se é para falar de sentir psicológico... Nossa! Parece-me, em certas ocasiões, que o fogo que existe dentro de mim vai me levar à loucura! É o calor da vontade. Em outros momentos, quando algo não vai bem, bate um frio que atinge o âmago e congela a alma. É, talvez, a falta de vontade.
Pode ser também o calor com que certas palavras saem da boca de alguém e levam uma sensação hot para o corpo do outro. E, de outro lado, pode ser o frio das palavras não pronunciadas que faz com que a boca de alguém pareça uma pedra de gelo, enquanto um corpo se petrifica à espera de estímulos de um outro que, ironicamente, está cold.
Então já chega, prefiro o hot do café de minha mãe e o cold de uma coca-cola bem gelada.
Saturday, November 29, 2008
Um brinde de frase soltas a um corpo de esperança
E a esperança entra no carro e juntos os dois seguem sob uma atmosfera suave. Enquanto um dá o assunto da conversa; o outro se esforça para não errar a marcha do carro. Enquanto um fala mansamente e com propriedade sobre os assuntos que insere à conversa; o outro pensa em como seria perfeito se os dois corpos se unissem e se fizessem apenas um.
Uma esperança de paixão é o que entra pelos vidros abertos do carro, inundando tudo com a adrenalina que parte do corpo de um que se pergunta se também é adrenalina o que o outro exala. Os dois se olham por diversas vezes, um escuta os comentários do outro sobre arquitetura e sobre "politicagem". As vozes de ambos teimam em denunciar aquele "climinha" de um jogo de paixão no qual não há vencedor, mas apenas duas pessoas inteligentes o suficiente para lançar perguntas e comentários cada vez mais perspicazes. Como numa partida de pingue-pongue, enquanto um comenta o gosto do outro pelas saladas; o outro, por sua vez, comenta as mãos frias de um que não sabe onde pôr as mãos geladas e põe a culpa no vento. Coitado do vento...
Nenhum dos dois tem idéia de onde isso pode chegar, de qual será o desfecho dessa história apaixonante, excitante, perigosa. O que importa, na verdade, é que para um o sopro de esperança em uma paixão vem e o eleva... Coloca-o no ponto mais alto e lhe dá o direito de repetir mais uma vez a fala de Lisa do filme Paixão à Flor da Pele (Wicker Park): "... I feel beautiful tonight...". E de fato, indeed, ele se sentiu belo, extremamente belo, pois o cheiro de paixão no ar o deixava à flor da pele.
Wednesday, November 26, 2008
Um brinde de frases soltas a um corpo vazio
Um telefone que não aguenta mais esperar para tocar, uma caixa de mensagens quase vazia (vazia, se não fosse as mensagens da operadora!!!). Músicas tocando... Against all odds, The blower's daughter e por aí vai... Um sono que não é apenas um descanso, mas também a fuga de uma realidade que não parece colorida. Um capítulo da história que teima em ser escrito em preto e branco. Mas se ao menos houvesse Charles Chaplin...
Um coração que espera e precisa, uma mente que sonha e um corpo que arde de tanto sentir frio. Se fosse num circo, o palhaço estaria sem picadeiro e o trapezista não teria mais seu trapézio. E não haveria equilibrista!
É como um vento frio num dia de brisa ou como muito calor num dia de verão. É a neve que insiste em cair num inverno frio. Mas se ao menos o setting fosse Nova York...
Gritos abafados, lágrimas presas, abraços soltos, beijos desencontrados. O in sem o out. Como sentimentos causam tanto estrago? Como pode não haver cor num filme tão criativo?
Um jardim sem flores ou simplesmente um sujeito separado por vírgula de seu predicado.
Ou talvez, letras desejando uma bela frase que lhes traga a segurança que somente algumas palavras podem dar.

