Monday, May 18, 2009

Dúvida


Por mais que se tente esconder, haverá sempre uma dúvida. Desde uma simples escolha de roupa a um complexo momento no qual se precisa escolher entre duas pessoas. É ruim ter dúvidas. Ter dúvidas dói. Causa insegurança, medo, desequilíbrio.
Ter dúvida é não saber direito por qual caminho seguir, é rodar em círculos buscando a melhor saída. As dúvidas são labirintos que insistem em nos manter presos. São criações da mente que, em muitas ocasiões, não está pronta. As dúvidas são o escape das decisões difíceis que precisam ser tomadas.
Lembro-me bem de quando tinha dúvidas durante as provas da escola. Quando pequenino, eu apelava para a professora, num bom estilo menino mimado. O tempo foi passando, eu fui deixando de ser tão perfeito (que bom!) e comecei a tirar as dúvidas através das respostas do colega da frente (e como, por muitos anos, o colega da frente era Elaine - inteligente amiga que certamente estudara na noite anterior -, quase sempre dava certo). E na provas, quando não era o colega da frente, eram os papéis passados nos testes de Física através do lugar da pilha na calculadora (Come on!!, em Física não era dúvida, o fato é que eu não sabia mesmo!!!). No vestibular, as belas questões de múltipla escolha: na dúvida, chuta uma letra só e você acertará pelo menos duas ou três.
Lembro-me também das eternas dúvidas de uma mente em construção. Tinha tanto medo de errar, de decepcionar quem de mim esperava muito, talvez por isso as dúvidas fossem tão frequentes. Sempre tive dúvidas e, na dúvida, tentava fazer o meio-termo entre as várias opções. Algo como "agradar a gregos e troianos".
E também lembro das dúvidas mais tórridas. Dessas não falarei, a censura não permite. Só digo que agradei a gregos e troianos.
Par ou ímpar? Cara ou coroa? Haverá sempre dúvidas. Haverá sempre medo, haverá sempre uma decisão certa e uma errada! Como disse Bial: "suas escolhas têm sempre 50% de chances de dar certo".
Por isso, odeio minhas dúvidas, mas as amo mais que nunca quando as odeio. Viva às dúvidas!

Wednesday, May 13, 2009

O menino que sonhava

Como na maioria das noites, ele estava sonhando. A exaustão do dia anterior talvez contribuísse para que imagens, por vezes fora de foco, passassem por sua mente durante o sono. Ele dormia para descansar. Dormia para sonhar com as lembranças que ele queria ter. O sonho o transportava para longe. O sonho lhe trazia o que estava longe.
Nos últimos dias ele vinha sonhando repetidamente com as mesmas pessoas. Eram donos de seus sonhos. Sonhos que eram trancados por uma chave com duas cópias. Uma chave estava longe, mas perto. Já a outra, estava perto, mas se fazia bem mais distante.
Os sonhos que ele tinha eram sonhos de amor que queriam ser abertos por uma daquelas chaves. Queria mais ainda ser aberto pela primeira chave. Chave mestra que levava seus sonhos para a cidade dos anjos. Levava e trazia sua mente em sono. Desacordo ele ia e vinha. Sonhos bons, amor... Sonhos perigosos, maus. Às vezes, acordava angustiado pela possibilidade de aquele sonho ruim se tornar realidade. Noutras manhãs, xingava o despertador por tirá-lo dos braços daquele sonho.
Mas seus sonhos nem sempre se mostravam tão bem localizados. Tinha sonhado dias atrás que, durante uma caminhada, encontrava um dos donos de seus sonhos. Encontrava com a sensação de quem encontra algo que se perdera.
Entre as perdas de sono, era preciso que ele soubesse reconhecer seus sonhos. E ele sabia reconhecer as alamedas por onde seus sonhos passavam. Reconhecia os sorrisos, as palavras, as cores de seus sonhos. Cores que jorravam dos olhos com os quais sonhava. Era um homem durante o dia, mas um menino indefeso à noite. Um menino frágil que buscava a cor mais azul para lhe proteger. Era um menino que buscava um certo tom de verde para curar seu orgulho de menino apaixonado.
Naquela noite, ele estava sonhando com a chave mestra. Chave que abria todas as portas e fechava todos os vazios. Mas a força daquela chave também poderia ser só um sonho.

Sunday, May 10, 2009

Sobre o que permanece


Há coisas que sempre ficam. Uma lembrança, um sorriso, um momento banal que se faz inesquecível...
Sentimentos são algo que sempre ficam. Ficam os desejos de que tudo sempre seja melhor, de que os dias próximos sempre sejam mais felizes. Ficam as sensações experimentadas nos mais diversos instantes da fascinante jornada da vida.
Nem todas as mães, mas a MINHA sempre permanece. Permanece nas palavras pequenas ditas pela manhã. Permanece nas perguntas (várias!) feitas ao longo do dia. Permanece no pensamento, junto às respostas mal-criadas. Permanece na memória ao lado das sensações vividas desde a também fascinante experiência do estar dentro de um outro ser. Isso mesmo! São nove meses dentro de um outro ser para depois sair e permanecer intimamente atrelado a este ser. A minha mãe permanece como um perfume único e íntimo espalhado desde sempre sobre a minha pele.
Que fiquem os problemas, as difuldades impostas pela vida. Que fiquem os defeitos que se mostram através da inevitável e essencial convivência. Que permaneçam as perguntas e as respostas mal-criadas. Com "abuso" ou não; com paciência ou não; com carinho, com atenção; com dedicação, que permaneça o sentir materno. Para mim, em especial, que sempre fique a admiração, que é eterna e incomensurável. E que para sempre fique a amada mãe, que é, de fato, tudo o que mais permanece.

Feliz Dia das Mães

Wednesday, May 06, 2009

Memórias roubadas

A sensação da perda é terrível. Viver com a certeza de que aquilo que lhe pertencia, não mais fará parte de sua vida. É uma sensação tão ruim quanto a impotência que se sente ao acordar de manhã e ver que seus discos não estão mais ali. Alguém sem nome, sem semblante, sem importância alguma ao seu ser invadiu o seu espaço e levou seus discos. Discos quando não se gosta da palavra cds. Carro aberto ou carro fechado? Não importa se o veículo fora arrombado! Seus discos estavam lá e, cada um deles, continha pelo menos uma música que fazia parte da sua história. As memórias que aquelas músicas traziam foram roubadas. Não importa também se eram originais ou gravações feitas em casa. Eram os seus discos que se traduziam em memórias. Músicas que lembravam um beijo, melodias que lembravam um amor antigo, arranjos que faziam você feliz. O último presente dado por um amor que ficou no passado. Um presente que você se deu e que significava muito para você. Não era dinheiro, felizmente você pode comprar os mesmos discos novamente e eles serão seus. Mas não serão os seus discos. Nunca mais serão os seus discos. E assim, não serão suas memórias. Foram-se os discos, foram-se as memórias. Alguém imundo e sem destino invadiu, feriu, arrancou algumas de suas memórias. Alguém imundo e sem destino, por ter tirado de você algumas de suas memórias, estará para sempre guardado no seu álbum de memórias tristes .

Sunday, May 03, 2009

Íntima melodia cantada pelo vento

O vento frio, o barulho da chuva, o domingo que passa nublado. Queria escrever, minha personagem tinha nome. Mas me falta a inspiração. Mas não será a chuva a minha exata inspiração? Talvez. Hoje acho que não. Estou inspirado em mim mesmo. Meus próprios sentimentos não cabem nas linhas que saem da minha mente. Sou eu. Estou eu. Pelas caixas de som, saem a perfeita melodia de Mozart. Sinto o frio do dia frio. Sinto o vento do ventilador deixando o quarto ainda mais frio. Um chocolate, um filme, uma taça de vinho, coca-cola, um alguém... Combinações perfeitas para um dia frio.
E meu pensamento que voa longe? Voa como o vento frio. Que saudade! Que desejo intenso de invadir a música que invade os meus ouvidos. Tudo parece tão perfeito. Estaria tudo quase perfeito se não tivesse que fazer os planos de aula para entregar à diretora da escola. Só de pensar e imaginar as feições dela, meu corpo sente uma inquietação. Nada contra a diretora, mas neste domingo, eu não gosto dela. Assim como não gosto de nada que cobre algo de mim hoje. Hoje sou eu e quero ser eu apenas. A mais nada será dado o direito de preecher meus pensamentos. Quero meus pensamentos limpos de delicadeza, de amor, de paz. Quero enfeitar minhas idéias com as coisas insanas que passam pela minha mente. Quero brindar à sanidade e festejar a loucura mais que necessária para sobreviver. Quero lembrar de momentos e sentir saudades. Quero perguntar ao Universo: "Why is he so far from me?". Mas não importa, longe ou perto, ele está em mim.
Quero também brindar a tudo que passa pela minha mente. Lembrei-me de Cazuza agora. Não sei o porquê, mas Cazuza invadiu minhas idéias. Cazuza era fascinante. Se pudesse, queria tomar um chocolate quente com ele agora.
Também é fascinante a capacidade que Mozart tem de me levar tão longe, de me colocar tão longe, de me fazer tão longe... Penso ainda em Clarice Lispector, Virginia Woolf e Oscar Wilde. Queria-os ao meu lado agora.
Acabo de descobrir (explosão!), em ritmo de epifania: Mozart me faz querer invadir as páginas de Jane Austen. Um brinde à Genilda, que nos apresentou.
E para onde voam meus pensamentos? Para onde foram as idéias e a inspiração? Minha cama está desforrada e a chuva continua caindo. Já eu, continuo eu, entorpecido de loucura, relaxado e ainda sem gostar do que exige de mim hoje.
No presente dia, de chuva, de frio, se fosse para pedir alguma coisa, pediria um cobertor humano, made of flesh and bones. Pediria a um Cazuza que protegesse "meu nome por amor, em um codinome beija-flor".

Saturday, May 02, 2009

To whom it may concern


It makes no difference at all if it's hot outside. I still feel cold. I need your fire to warm me up. I need to feel your touch. I need to feel your arms around me. I need to see you, to touch you, to feel you... I want that kiss. I want those words, whispered by you. I want to look into your eyes and see you're with me. And when our bodies feel the flames of our passion, I want to whisper the most beautiful and the sexiest words...

Thursday, April 30, 2009

Lá de longe

Há dias tenho andado distante. A distância que separa os sonhos da realidade. A distância que separa os planos de tudo que neste momento é concreto. A distância que separa carinhos, um beijo e uma sonhada noite de amor.
E também é a distância que machuca e desespera a mente de quem percebe o tempo passando, mas, ainda assim, sente como se os próximos atos da grande peça chamada vida estivessem muito longe de acontecer. Às vezes, a pesquisa atual parece estar muito distante dos projetos futuros. E sempre os projetos futuros parecem mais interessantes. Acredito que a distância, nesses casos, cria expectativa e guarda sempre a possibilidade de um dia mais feliz.
É lá de longe que eu ouço a voz que eu queria que falasse agora ao meu ouvido. É lá de longe que eu vejo as fotos de lugares onde eu desejaria estar (e sempre são bem distantes). É lá de longe que eu sinto o futuro bater a porta (um pseudo longe, já que o futuro está logo ali).
A vida é um túnel. Para alguns não há tempo de haver nada distante. Para outros, tudo está muito longe. O remédio? O equilíbrio? A verdade é que só o tempo pode curar e equilibrar os desejos ardentes de mentes sem ritmo. Mais que isso, o tempo, se Deus quiser, tratará para perto e concederá o status de seu a todos os desejos que vêm de longe.
Mas se fosse para escolher... Eu queria estar longe.

Sunday, April 19, 2009

Relações dialógicas

Quando os outros falam é bem difícil acreditar que as coisas pequenas são mais significativas. Parece um conceito abstrato que você não sente e, portanto, não acredita. Mas ao sentir que uma coisa pequena lhe fere você começa a acreditar...
É ao mesmo tempo engraçado pensar que uma simples linha, ou uma simples frase dita, pode mudar tudo. Pequenas cinco palavras, ou melhor, uma só palavra pode ferir, magoar e decepcionar. Somos muito frágeis frente ao discurso? Seria o discurso algo imóvel que bloqueia nossas ações? Às vezes, algumas palavras ditas não têm a intenção de machucar, mas tomam esse caminho involuntariamente. Não há discurso de um só. Até mesmo para um monólogo há sempre um ouvinte implícito. Como num jogo de pingue-pongue, a palavra é a bolinha que vai para lá e para cá. Os interlocutores são os jogadores; a voz, as raquetes.
A questão parece ser mesmo a forma como as palavras chegarão ao outro, no que tocarão. Se há sempre um ouvinte, deveria haver sempre um filtro entre os interlocutores para impedir que certas palavras capazes de ferir passassem. Mas agora, já não são as pequenas coisas abstratas, nem mesmo o tal filtro. O tal filtro simplesmente não existe.

Thursday, April 02, 2009

Ele apenas sabia as respostas



É sem dúvida um daqueles filmes que tiram o fôlego e causam ansiedade e excitação. Quem quer ser um milionário? Talvez a pergunta seja "quem não quer ser um milionário?". Afinal, no mundo em que vivemos é cada vez mais difícil tirar o sustento e levar uma vida mais confortável e sem muitas preocupações.
Mas o filme vencedor do Oscar 2009 é muito mais que isso. Não é apenas a luta nossa de cada dia, não é apenas o desejo de uma vida melhor. É um banho de vida - ou um milhão de vida, se soar melhor - em um filme que aparentemente não tem história. Em um flashback eletrizante é possível enxergar muito sobre amor, sobre força, sobre amizade e companheirismo numa intensidade que parece nem mais existir. É, acima de qualquer outra coisa, uma descoberta sobre acreditar e saber aproveitar tudo.
Que bom que Quem quer ser um milionário? ganhou o Oscar. Um Oscar à vida! Um Oscar à excitação, à ansiedade, à emoção que é assistir a este filme.
Comovente, envolvente, intrigante, inteligente! Sinto ainda minhas mãos apertando os braços da poltrona do cinema. Sinto ainda meu coração bater forte a cada pergunta respondida por Jamal (o protagonista do filme) durante o programa de televisão "Who wants to be a millionarie?".
Valeu muito a a pena ir ao cinema ontem.

Monday, March 23, 2009

Meu tempo íntimo


Hoje é 23 de março. O ano começou ontem e hoje os supermercados já exibem seus tetos de ovos de páscoa. O tempo está passando muito rápido. Não há tempo para pensar, precisamos agir. A todo instante somos cobrados. O mundo deseja, grita desesperadamente por ação.
E nesse tempo maluco, que parece correr, é difícil enxergar certos fatos e ser imparcial. É difícil não sentir raiva de certas pessoas, é difícil não ter vertigem após ver o que não se quer ver ou sentir o que não se quer sentir. É curioso como o tempo, todo ocupado em passar rápido, ainda arruma tempo para fazer surpresas!
Decidi há alguns dias que vou escrever. Quero escrever sobre as coisas pequenas, as coisas simples que significam algo para mim. Quero escrever sobre os meus sentimentos desordenados. Talvez eu organize uma publicação.
Escrever um livro de sentimentos e coisas simples torna-se agora um desafio e um desejo meu. Tentarei deixar de lado a minha insegurança quanto a minha qualidade literária e também o meu jeito bagunçado de escrever e guardar meus escritos. Veremos no que isso vai dar, ou melhor, deixemos este projeto nas mãos do Senhor Tempo.
"Tempo, tempo, tempo, tempo, vou te fazer um pedido..."

Saturday, March 14, 2009

Dia da Poesia

Como hoje é dia da Poesia, eu deixo aqui alguns versos dos quais gosto muito...

Motivo
(Cecília Meireles)

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias,
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço.
- não sei, não sei. Não se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.



Wednesday, March 11, 2009

Feelings

Dedicado a Genilda Azeredo

Após meses mergulhando no universo de Jane Austen através do romance Orgulho e Preconceito, finalmente o trabalho está concluído. Foram longas páginas a serem lidas e em cada uma delas estiveram presentes os mais diversos sentimentos. Amor, paixão, respeito, admiração, orgulho e preconceito... Sentimentos que são atuais e que, verdadeiramente, estão intrínsecos ao nosso ser.
Com o término das discussões acerca do romance, ficaram as perguntas soltas no ar: "O que é amor?","O que é casamento?"... Todos tentamos responder perguntas como essas ao longo de nossa curta existência. Às vezes, vivemos um amor, um casamento, um desejo e nem sequer nos damos conta de que era amor, era desejo.
Como foi dito ontem durante os seminários: "não há amor sem admiração". Mas será que amamos todas as pessoas que dizemos admirar? Será que admiramos todas as pessoas que dizemos amar? É tudo tão incoerente. Os sentimentos são incoerentes. Um parece querer passar por cima do outro. Sentimentos se misturam de forma a impedir que identifiquemos cada um em seu individual.
Mas para tudo deve haver um equilíbrio. Essa é uma das lições que tirei da obra de Jane Austen. Equilíbrio! Precisei dele até mesmo para fazer o trabalho escrito, pois para mim, lidar com sentimentos é uma tarefa árdua! Para mim, refletir sobre palavras, olhares, gestos tão enigmáticos e tão carregados de significado é algo extremamente complexo.
Sinto que aprendi muito e que a oportunidade de falar sobre sentimentos, a partir de um texto antigo que se faz contemporâneo, foi crucial. Posso agora afirmar o desejo de "agir da maneira que, em minha opinião, constituirá minha felicidade". Posso dizer que ofensas só podem ser perdoadas caso elas não "mortifiquem o nosso próprio orgulho". E acredito que cada linha lida sobre sentimentos é como uma epifania, que nos faz "a partir daquele momento, nunca mais nos reconhecermos".

Citações: AUSTEN, Jane. Pride and Prejudice.


Thursday, February 26, 2009

Sentimentos e linhas incoerentes

Os sentimentos humanos são muito engraçados. É sempre uma grande surpresa o modo como o que hoje é, amanhã pode não ser.
Sentimentos como saudade, desejo, paixão são dos constantes os que mais se fazem inconstantes (ou vice-versa). A saudade dói no peito como uma ferida que nunca cicatriza. Sentir saudades nos faz querer voar e sufocar a dor solitária nos braços dos quais sentimos saudades. Porque um beijo que está longe, um carinho que se banha em outro oceano pode perfeitamente sarar a ferida que a saudade abriu.
Também sentimos saudades do desejo e da paixão. É ruim viver sem esses dois sentimentos. O bom mesmo é tê-los e deles retirar vida. É como desejar ser as cordas do violão que o outro toca. É como apaixonar-se por um único beijo e desejar uma única noite em que o ato completo será consumado.
Mas o engraçado é não compreender muito bem o que se deseja. Não saber o que de fato lhe causa paixão. Sobre a saudade... Não há dúvidas....
Hoje estão a saudade, a paixão e o desejo como causadores de um barulho que vem lá do fundo do coração. Amanhã pode ser que novos sentimentos apareçam, pois, às vezes, muitas coisas acontecem in a little while.

Sunday, February 22, 2009

PS: O trecho que não deve ser esquecido


Alguns filmes sempre impressionam a quem é amante do cinema. Talvez a emoção venha do estado de espírito, dos sentimentos nossos que coincidem com aqueles expostos na tela. É como assistir PS: I love you em uma noite fria quando seu coração está transbordando de saudade e paixão.
O filme de 2007, dirigido por Richard LaGravenese e estrelado por Hilary Swank e Gerard Butler conta uma história de amor que poucos acreditam que possa acontecer na vida real. Um homem apaixonado faz do seu último ato de amor o mais inesquecível e especial de todos. Uma mulher cujo coração está em pedaços devido à morte de seu jovem marido recebe a maior prova de amor que ele poderia lhe dar.
O filme mostra, em palavras semelhantes às que foram utilizadas pela protagonista, que a vida é a coisa mais interminavelmente curta. É interminável pela dor que sentimos e é curta porque precisamos dizer adeus a quem mais amamos na vida.
Lágrimas escorrem pelo rosto de quem assiste ao filme para acompanhar as lágrimas de uma mulher de trinta anos que, provavelmente, vê-se diante da morte pela primeira vez. A morte como negação da vida. A morte como uma faca que corta a vida arrancando o que mais nos traz vida: o amor. As lágrimas realmente escorrem por causa de cartas que foram escritas para serem o mais nobre ato de amor. As linhas deixadas por um marido apaixonado, cuja vida fora interrompida por um tumor no cérebro, são para fazer com que uma jovem viúva supere a dor de perder seu amor para a mais invisível e temida adversária: a Sra. Morte. Mas são também para nos fazer esperar o carteiro com a esperança de que cartas de amor também sejam enviadas ao endereço de nosso coração. Eu já me sinto satisfeito com e-mails especialmente escritos a mim...
E como num piscar de olhos, quando você acha que o conteúdo das cartas acabou: "PS: I love you!". É aí que está o trecho mais importante de cada carta. Vem daí aquela vontade de abraçar quem você gosta e fazer com que as palavras deixadas para o post scriptum se tornem o trecho do qual não devemos esquecer jamais.

E eu quase esqueço...
Ps: I miss you!

Wednesday, February 18, 2009

Linhas minhas de um sentimento que vem de longe

Porque ouvir sua voz me fez suspirar... A melodia de suas palavras, os beijos ditos, o carinho. Também sua imagem através da câmera, seu sorriso e o brilho de seus olhos azuis. Porque há dias eu desejava isso e, enfim, aconteceu. Por alguns minutos senti que estavamos juntos, perto um do outro. Bondosa internet, cruel saudade...
Porque o som de cada palavra vai permanecer nos meus ouvidos.

Tuesday, February 17, 2009

Recado para você: à espera da tecla SAP

Uma vontade de estar em outro lugar... Uma saudade apertando o coração que está batendo forte. Tenho sonhado muito e você tem estado em meus sonhos. Você tem habitado meus pensamentos quase que todo instante. E em qualquer digressão mental, meu pensamento voa até você. Voa sem avião, sem visto... Voa apenas com a razão de que você é especial e sacudiu meus sentimentos mais íntimos. Adoro ler suas linhas e imaginar o tom de sua voz ao dizer tais palavras. Adoro fechar os olhos e fingir que estamos juntos. Adoro também quando não preciso nem fechar os olhos para me imaginar ao seu lado. Ainda sinto vivo o gosto do beijo, o cheiro de sua pele, o calor de seu corpo e suas mãos aquecendo as minhas. Sinto viva a sua respiração na minha nuca. Tudo isso porque "... the smell of your skin lingers on me now...". Talvez agora você esteja dormindo, ainda é cedo por aí... Estarei eu nos seus sonhos?

Friday, February 13, 2009

O que é meu

Quando as coisas não estão indo tão bem quanto você esperava. Talvez seja aquela sensação de não pertencer a um lugar, a uma atividade, a alguém... É como estar em um lugar querendo estar em outro quilômetros mais distante.
Minha cabeça dói um pouco. Meu corpo também está meio cansado. Foi preciso uma barra de cereal para não perder os sentidos... Exausto! Vem, então, aquela vontade louca de jogar tudo para o alto, gritar palavrões e entregar uma tarefa que todo mundo sabe que não é sua. Tantas vozes, tanto barulho, tanto desrespeito. Questiono minha profissão e como consequência, questiono meu lugar no mundo.
Hoje eu estou me sentindo vazio. Desejo algo que não está disponível nas prateleiras do supermercado da esquina. Desejo algo que não é fácil, não é simples, não é definido em palavras científicas. Sinto saudades e suspiro por minhas saudades, por minhas lembranças de momentos que significaram uma vida inteira. Sonho à noite, acordo molhado... O corpo parece que vai derreter de tanto suor. Acordado, o corpo está em desequilíbrio.
Queria algo verdadeiro para me apegar. Uma sustentação para os meus dias tontos. Uma direção a seguir... A target to aim in...
Por que é tão complicado, confuso? Dizem para simplificar, dizem para não reclamar. Muito se diz, mas pouco se sente. Tudo é muito subjetivo, individual e meu! Pego de empréstimo, portanto, as palavras de Maysa: "Se meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar".

Tuesday, February 10, 2009

Recipe

Take everything that was good.
Then, keep it on your mind.
Be sure that your heart will keep it too.
Remember the good things whenever you need.
Forget the sorrow, the pain, the tears...
Try to make the end a new way of beginning.
And the most important:
Take all the feelings that make you feel beautiful, warm and delighted as the sweetest souvenirs.

Friday, February 06, 2009

Saudade


Saudade é uma palavra bonita e única da língua portuguesa. Dá nome a um sentimento que, por muitas vezes, é vazio e arde no peito. Tudo o que sinto neste momento é saudade. Uma saudade que maltrata, que faz as imagens passarem como em um filme construído da forma mais cuidadosa para se fazer sentir saudade. Dizem por aí que "tudo o que é bom dura pouco", mas por que tão pouco? Por que tudo o que você mais desejava, há tempos, vem e dura tão pouco?
Por outro lado, as mudanças e as marcas deixadas não são poucas. Fica também aquela dúvida: "quando nos encontraremos de novo?". Fica o desejo de que o reencontro não demore tanto. Ansiedade... Guardadas estão as melhores lembranças (enfim a curta duração revela suas vantagens: não houve tempo para lembranças ruins!). Todas as lembranças são as melhores e só dói lembrar daquele abraço apertado de despedida, num saguão quase vazio e com um portão de embarque ao fundo. Fica guardado o toque, o gosto do beijo, o cheiro... Fica tudo gravado numa pele, numa memória e num coração que há muito não sentia batidas tão harmoniosas. Com os olhos ardendo, com a boca ressecada, com as mãos frias e com um corpo em desequilíbrio, tudo o que sinto é saudade.

Sunday, February 01, 2009

Erupção de vida

É muito engraçado como a vida nos surpreende a cada dia. Tantas coisas acontecem no mundo para que um simples movimento seja feito... Tantas coisas precisam acontecer para que um simples desejo vire realidade. Chego a pensar que viver é estar em um fulcão em constante erupção.
Esses dias têm sido mágicos, surpreendentes e determinantes para que certas coisas mudem para sempre em minha vida. São ondas que vêm do Pacífico e me envolvem... Ondas que esquentam o meu corpo frio. Um banho de vida, de desejo, de sentir-se desejado. É também, de um outro lado, um passado que num piscar de olhos se transforma em um presente tão rápido quanto a luz. Tão rápido que não há tempo para pensar. Mas enfim, sinto que estou envelhecendo, o passado já existe e já está voltando para cobrar o presente. Pode ser que o passado esteja agora encerrado e guardado junto com uma boa recordação, ou, pode ser que ele ainda volte um dia. Alguém do passado, não se preocupe, tudo acontece como tem que ser. Há agora um segredo entre nós.
Pensar no passado por um instante me fez esquecer que meu California Dream está indo embora... Mas eu já sabia que seria assim. A vida dá com uma mão e tira com a outra. Tudo tem que voltar ao seu rumo. As águas do rio da vida precisam correr por estreitos canais que, às vezes, são repletos de pedras. Guardo você no coração, na mente, no corpo... I'll take everything as one of the sweetest memories.
Amanhã a vida voltará ao normal, mas não será mais a mesma coisa. Há coisas que acontecem em um segundo e mudam tudo para sempre. O adeus é difícil, mas é necessário para que a vida siga seu rumo e, com sorte, nossos destinos se cruzarão muitas outras vezes e nos colocará frente a frente. Só Deus sabe quando nos veremos de novo, mas guardarei aquecida a lembrança de maravilhosos dias em que minhas mãos estiveram aquecidas. As you said: "Cold hands, warm heart".
O que eu posso dizer para encerrar este texto é: "Estou vivo! Sinto isto! A despeito de dores, de angústias, de dificuldades... Quero viver, preciso viver. Espero que a vida me traga sempre essas surpresas dos lugares mais inesperados. Vou tentar não esperar tanto, vou tentar não reclamar tanto".