Thursday, February 26, 2009

Sentimentos e linhas incoerentes

Os sentimentos humanos são muito engraçados. É sempre uma grande surpresa o modo como o que hoje é, amanhã pode não ser.
Sentimentos como saudade, desejo, paixão são dos constantes os que mais se fazem inconstantes (ou vice-versa). A saudade dói no peito como uma ferida que nunca cicatriza. Sentir saudades nos faz querer voar e sufocar a dor solitária nos braços dos quais sentimos saudades. Porque um beijo que está longe, um carinho que se banha em outro oceano pode perfeitamente sarar a ferida que a saudade abriu.
Também sentimos saudades do desejo e da paixão. É ruim viver sem esses dois sentimentos. O bom mesmo é tê-los e deles retirar vida. É como desejar ser as cordas do violão que o outro toca. É como apaixonar-se por um único beijo e desejar uma única noite em que o ato completo será consumado.
Mas o engraçado é não compreender muito bem o que se deseja. Não saber o que de fato lhe causa paixão. Sobre a saudade... Não há dúvidas....
Hoje estão a saudade, a paixão e o desejo como causadores de um barulho que vem lá do fundo do coração. Amanhã pode ser que novos sentimentos apareçam, pois, às vezes, muitas coisas acontecem in a little while.

Sunday, February 22, 2009

PS: O trecho que não deve ser esquecido


Alguns filmes sempre impressionam a quem é amante do cinema. Talvez a emoção venha do estado de espírito, dos sentimentos nossos que coincidem com aqueles expostos na tela. É como assistir PS: I love you em uma noite fria quando seu coração está transbordando de saudade e paixão.
O filme de 2007, dirigido por Richard LaGravenese e estrelado por Hilary Swank e Gerard Butler conta uma história de amor que poucos acreditam que possa acontecer na vida real. Um homem apaixonado faz do seu último ato de amor o mais inesquecível e especial de todos. Uma mulher cujo coração está em pedaços devido à morte de seu jovem marido recebe a maior prova de amor que ele poderia lhe dar.
O filme mostra, em palavras semelhantes às que foram utilizadas pela protagonista, que a vida é a coisa mais interminavelmente curta. É interminável pela dor que sentimos e é curta porque precisamos dizer adeus a quem mais amamos na vida.
Lágrimas escorrem pelo rosto de quem assiste ao filme para acompanhar as lágrimas de uma mulher de trinta anos que, provavelmente, vê-se diante da morte pela primeira vez. A morte como negação da vida. A morte como uma faca que corta a vida arrancando o que mais nos traz vida: o amor. As lágrimas realmente escorrem por causa de cartas que foram escritas para serem o mais nobre ato de amor. As linhas deixadas por um marido apaixonado, cuja vida fora interrompida por um tumor no cérebro, são para fazer com que uma jovem viúva supere a dor de perder seu amor para a mais invisível e temida adversária: a Sra. Morte. Mas são também para nos fazer esperar o carteiro com a esperança de que cartas de amor também sejam enviadas ao endereço de nosso coração. Eu já me sinto satisfeito com e-mails especialmente escritos a mim...
E como num piscar de olhos, quando você acha que o conteúdo das cartas acabou: "PS: I love you!". É aí que está o trecho mais importante de cada carta. Vem daí aquela vontade de abraçar quem você gosta e fazer com que as palavras deixadas para o post scriptum se tornem o trecho do qual não devemos esquecer jamais.

E eu quase esqueço...
Ps: I miss you!

Wednesday, February 18, 2009

Linhas minhas de um sentimento que vem de longe

Porque ouvir sua voz me fez suspirar... A melodia de suas palavras, os beijos ditos, o carinho. Também sua imagem através da câmera, seu sorriso e o brilho de seus olhos azuis. Porque há dias eu desejava isso e, enfim, aconteceu. Por alguns minutos senti que estavamos juntos, perto um do outro. Bondosa internet, cruel saudade...
Porque o som de cada palavra vai permanecer nos meus ouvidos.

Tuesday, February 17, 2009

Recado para você: à espera da tecla SAP

Uma vontade de estar em outro lugar... Uma saudade apertando o coração que está batendo forte. Tenho sonhado muito e você tem estado em meus sonhos. Você tem habitado meus pensamentos quase que todo instante. E em qualquer digressão mental, meu pensamento voa até você. Voa sem avião, sem visto... Voa apenas com a razão de que você é especial e sacudiu meus sentimentos mais íntimos. Adoro ler suas linhas e imaginar o tom de sua voz ao dizer tais palavras. Adoro fechar os olhos e fingir que estamos juntos. Adoro também quando não preciso nem fechar os olhos para me imaginar ao seu lado. Ainda sinto vivo o gosto do beijo, o cheiro de sua pele, o calor de seu corpo e suas mãos aquecendo as minhas. Sinto viva a sua respiração na minha nuca. Tudo isso porque "... the smell of your skin lingers on me now...". Talvez agora você esteja dormindo, ainda é cedo por aí... Estarei eu nos seus sonhos?

Friday, February 13, 2009

O que é meu

Quando as coisas não estão indo tão bem quanto você esperava. Talvez seja aquela sensação de não pertencer a um lugar, a uma atividade, a alguém... É como estar em um lugar querendo estar em outro quilômetros mais distante.
Minha cabeça dói um pouco. Meu corpo também está meio cansado. Foi preciso uma barra de cereal para não perder os sentidos... Exausto! Vem, então, aquela vontade louca de jogar tudo para o alto, gritar palavrões e entregar uma tarefa que todo mundo sabe que não é sua. Tantas vozes, tanto barulho, tanto desrespeito. Questiono minha profissão e como consequência, questiono meu lugar no mundo.
Hoje eu estou me sentindo vazio. Desejo algo que não está disponível nas prateleiras do supermercado da esquina. Desejo algo que não é fácil, não é simples, não é definido em palavras científicas. Sinto saudades e suspiro por minhas saudades, por minhas lembranças de momentos que significaram uma vida inteira. Sonho à noite, acordo molhado... O corpo parece que vai derreter de tanto suor. Acordado, o corpo está em desequilíbrio.
Queria algo verdadeiro para me apegar. Uma sustentação para os meus dias tontos. Uma direção a seguir... A target to aim in...
Por que é tão complicado, confuso? Dizem para simplificar, dizem para não reclamar. Muito se diz, mas pouco se sente. Tudo é muito subjetivo, individual e meu! Pego de empréstimo, portanto, as palavras de Maysa: "Se meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar".

Tuesday, February 10, 2009

Recipe

Take everything that was good.
Then, keep it on your mind.
Be sure that your heart will keep it too.
Remember the good things whenever you need.
Forget the sorrow, the pain, the tears...
Try to make the end a new way of beginning.
And the most important:
Take all the feelings that make you feel beautiful, warm and delighted as the sweetest souvenirs.

Friday, February 06, 2009

Saudade


Saudade é uma palavra bonita e única da língua portuguesa. Dá nome a um sentimento que, por muitas vezes, é vazio e arde no peito. Tudo o que sinto neste momento é saudade. Uma saudade que maltrata, que faz as imagens passarem como em um filme construído da forma mais cuidadosa para se fazer sentir saudade. Dizem por aí que "tudo o que é bom dura pouco", mas por que tão pouco? Por que tudo o que você mais desejava, há tempos, vem e dura tão pouco?
Por outro lado, as mudanças e as marcas deixadas não são poucas. Fica também aquela dúvida: "quando nos encontraremos de novo?". Fica o desejo de que o reencontro não demore tanto. Ansiedade... Guardadas estão as melhores lembranças (enfim a curta duração revela suas vantagens: não houve tempo para lembranças ruins!). Todas as lembranças são as melhores e só dói lembrar daquele abraço apertado de despedida, num saguão quase vazio e com um portão de embarque ao fundo. Fica guardado o toque, o gosto do beijo, o cheiro... Fica tudo gravado numa pele, numa memória e num coração que há muito não sentia batidas tão harmoniosas. Com os olhos ardendo, com a boca ressecada, com as mãos frias e com um corpo em desequilíbrio, tudo o que sinto é saudade.

Sunday, February 01, 2009

Erupção de vida

É muito engraçado como a vida nos surpreende a cada dia. Tantas coisas acontecem no mundo para que um simples movimento seja feito... Tantas coisas precisam acontecer para que um simples desejo vire realidade. Chego a pensar que viver é estar em um fulcão em constante erupção.
Esses dias têm sido mágicos, surpreendentes e determinantes para que certas coisas mudem para sempre em minha vida. São ondas que vêm do Pacífico e me envolvem... Ondas que esquentam o meu corpo frio. Um banho de vida, de desejo, de sentir-se desejado. É também, de um outro lado, um passado que num piscar de olhos se transforma em um presente tão rápido quanto a luz. Tão rápido que não há tempo para pensar. Mas enfim, sinto que estou envelhecendo, o passado já existe e já está voltando para cobrar o presente. Pode ser que o passado esteja agora encerrado e guardado junto com uma boa recordação, ou, pode ser que ele ainda volte um dia. Alguém do passado, não se preocupe, tudo acontece como tem que ser. Há agora um segredo entre nós.
Pensar no passado por um instante me fez esquecer que meu California Dream está indo embora... Mas eu já sabia que seria assim. A vida dá com uma mão e tira com a outra. Tudo tem que voltar ao seu rumo. As águas do rio da vida precisam correr por estreitos canais que, às vezes, são repletos de pedras. Guardo você no coração, na mente, no corpo... I'll take everything as one of the sweetest memories.
Amanhã a vida voltará ao normal, mas não será mais a mesma coisa. Há coisas que acontecem em um segundo e mudam tudo para sempre. O adeus é difícil, mas é necessário para que a vida siga seu rumo e, com sorte, nossos destinos se cruzarão muitas outras vezes e nos colocará frente a frente. Só Deus sabe quando nos veremos de novo, mas guardarei aquecida a lembrança de maravilhosos dias em que minhas mãos estiveram aquecidas. As you said: "Cold hands, warm heart".
O que eu posso dizer para encerrar este texto é: "Estou vivo! Sinto isto! A despeito de dores, de angústias, de dificuldades... Quero viver, preciso viver. Espero que a vida me traga sempre essas surpresas dos lugares mais inesperados. Vou tentar não esperar tanto, vou tentar não reclamar tanto".

Wednesday, January 28, 2009

California Dream

Boas energias e sensações vêm de longe e trazem brilho, cor, alegria a dias que antes estavam mornos. É rápido, eu sei, uma semana apenas (ou até menos que isso), mas tem importância para mim. Espero não haver um grande lado negativo, espero que tudo transcorra sem frustrações, dores ou mais imagens em preto e branco.
Tudo isso me faz querer mergulhar em águas do Pacífico...

Sunday, January 25, 2009

Um desabafo

Os últimos dias não têm sido muito agradáveis. Sinto-me desmotivado, como se tudo tivesse parado no ar ou como se não houvesse em mim a flexibilidade para acompanhar o movimento do mundo. A cabeça não está muito boa para pensar e produzir as coisas que preciso produzir. Há vinte dias tento me concentrar em um artigo que preciso escrever, mas até agora tenho apenas as duas primeiras páginas. A verdade é que eu não sei bem se quero discutir o assunto proposto. Minha mente está em desordem. Sentimentos e a falta de sentimentos tiram meu equilibrio e meu corpo parece não vencer a gravidade. Como discutir uma teoria se minha íntima teoria está desordenada?
Não acho as palavras, não tenho insights. Sinto sono quando vejo os papéis e, até mesmo quando me decido a produzir, meu corpo parece querer desistir. É isso! Acho que estou querendo desistir. E esse sentimento tem muito mais a ver com a Literatura que com a exatidão abstrata da Linguística. Desistir, a imagem de alguém desistindo me parece poesia. A forma como me sinto, a forma como minhas sensações se encontram me parece poesia.
É incômodo saber que preciso fazer algo que no meu íntimo não queria, ou que pelo menos não me sinto em condições ideais para fazer.

Sunday, January 18, 2009

Sobre o não dizer

Algumas situações têm me feito pensar sobre como certas palavras não ditas pesam em nossa boca. Timidez, falta de coragem... São diversos os motivos que por vezes impedem que as palavras saiam. Isso maltrata quem quer falar e, às vezes, frustra quem quer ouvir.
Um outro agravante para o não dizer é o medo da reação de quem vai ouvir. É difícil lidar com a rejeição, pior ainda quando se trata de ter as suas palavras tão preciosas rejeitadas e negadas por um seco e curto não. Mas o que fazer com as falas cuidadosamente pensadas e medidas por nossas mentes? Os sons querendo sair, mas os lábios fechados como se ali existisse uma camada de velcro. Angustiante a sensação de querer dizer e não conseguir.
Algumas pessoas bebem para se encher de coragem, eu também beberia se não tivesse que dirigir... Mas em certos momentos é tão fácil falar. Acho que também depende de quem vai ouvir. O previsível torna-se um campo seguro para as palavras caminharem. Entretanto, não podemos nos esquecer das surpresas do previsível.
Termino com um desejo e um pedido. Desejo conseguir dizer sempre, da melhor maneira, da mais polida e clara maneira dizer o que meus sentimentos produzem. E peço que tudo seja dito, pois as palavras não ditas podem nos ferir eternamente.

Sunday, January 04, 2009

Paradoxo Íntimo

Tenho andado meio inundado em meus próprios paradoxos. São basicamente sentimentos que insistem em se misturar e confundir minhas opiniões, meus desejos. Todos esses paradoxos sentimentais são meus e, às vezes, não sei como expressá-los. Sei apenas que não dá para ter tudo e, como a vida é feita de escolhas, só metade das construções paradoxais consegue ser vivida.
Acredito que estou meio "Álvares de Azevedo". Assim como ele, estou assumindo duas faces: Ariel e Caliban. O meu Ariel busca a tranquilidade, as coisas amenas. Mas meu Caliban só quer saber de fogo, do mais tórrido desejo.
Por fim, tudo está misturado. É tudo confusão como um anjo que não sabe se preserva a luz da paz ou se peca entregando-se aos desejos da carne.

Wednesday, December 31, 2008

Um brinde aos próximos 365 dias


Passados mais 366 dias, cá estamos novamente. Parece que foi ontem que este ano, com um fevereiro de 29 dias, começou. Lembro-me ainda do dia 31 de dezembro de 2007. Agora 2008 está indo. Pois que vá!
Tantas coisas aconteceram. Foram sorrisos de vontades incontroláveis de sorrir. Foram muitas lágrimas que jorraram de olhos que não sabiam como não derramar seus rios. Ganhos e perdas, como sempre. Em alguns momentos a alegria não pôde ser contida. Houve também aqueles instantes em que o chão parecia se abrir para engolir os corpos que sobre ele tentavam se movimentar.
Perdi momentos mal aproveitados, perdi dinheiro com gastos desnecessários ou imprevistos. Perdi um relacionamento que agora está no passado. Perda difícil, pois nunca é fácil enxergar o fim! E também não foi fácil enxugar as lágrimas da mais dolorosa perda que esse ano trouxe. Ainda não é fácil lembrar e não sentir o queixo tremer. Mas que ela, a querida Maria, descanse em paz!
Conheci pessoas interessantes também. A forma de pensar sobre determinados assuntos mudou. Descobri a constante mutação. Amor já não é tudo e há sentimentos que vêm e têm o direito de vir, pois são algo do próprio ser. E como é gostoso falar sobre sentimentos com Maíra, Raíra e Isabel. Falar como ontem durante o jantar na casa de Isabel. Quantas cavilações! A começar pela redescoberta deste termo tão antigo. Mas não é bom olhar as antiguidades, Áurea?
2008 viu gritos e ouviu discussões. E daí vem o entendimento de que não é simples a tarefa de conviver com outras pessoas. Ainda assim, continuo gostando de gente, principalmente pessoas estranhas no melhor estilo Closer.
"Hello stranger!" também define a entrada rápida de alguém em uma vida que precisava sentir paixão. O ano começou com amor e termina com uma paixão incerta e, como sempre, complicada.
Reuniões e trabalhos na última hora com Marianne, a orientadora que orienta depois de desorientar. Correria, muita correria. Aulas para dar e aulas para assistir. Despedida de alunos queridos e pela primeira vez na vida de um jovem professor, a sensação maravilhosa de dever cumprido.
E quanta comida, hein?! Jantares, almoços, lanches rápidos. Desde um aniversário comemorado num restaurante chinês a um desejo de comer sushi que vai ficar para 2009. Andressa pediu Mc Donalds em seu aniversário. Eu também comi batata frita no Bebe blues...
Houve também as leituras que deixaram marcas neste coração. Desde uma insustentável leveza do ser ao conhecimento da Macabéa de Clarice Lispector em A hora estrela. E também filmes. O cinema este ano foi para mim algo que poderia ter sido mais. Não que os filmes tenham sido de má qualidade, mas é que eu queria ter ido mais ao cinema.
E no mundo, muita tristeza marcou 2008. A violência e a falta de amor destruiu muitas coisas verdadeiras. Chega a ser difícil acreditar no futuro. Todos precisamos mudar. Todos precisamos ser mais honestos com nossos sentimentos, pois o tempo está passando muito rápido.
Assim, entre idas e vindas, mais um ano se vai. Que venha o próximo. Aguardo um ano no qual muita coisa importante está para acontecer. Que seja bom e feliz como o sorriso do meu afilhado Igor! Sinto-me mais leve agora, o peso de 2008 já se foi quase que por completo. Resta pouco sobre minhas costas. Feliz Ano Novo!

Sunday, December 28, 2008

Relacionamentos antigos

Estive pensando nos últimos dias sobre relacionamentos do passado. Lembranças significativas de todos eles ficaram guardadas e, às vezes, surgem do lugar mais profundo da memória. São as lembranças boas na maior parte das vezes. A forma de dar carinho de cada uma dessas pessoas que ficaram no passado. O modo como o abraço era dado. O beijo. Até o sexo, se houve, vira lembrança. Nos momentos em que as recordações vêm à tona, nos depararmos com uma espécie de seleção de imagens e sensações é inevitável. Com a seleção, percebemos que algumas pessoas significaram mais que as outras. Talvez pelo tempo que o relacionamento durou ou pela intensidade do sentimento. De umas temos mais lembranças da atração física como se o desejo ou a forma de fazer sexo fosse o grande souvenir; de outras, vem o carinho, as palavras carinhosas... Nunca esquecerei do amor que você tinha por mim e de como me sentia protegido. (Você sabe que é para você que eu falei isso, não é?).
Mas o bom mesmo é perceber que a vida passa e modifica tudo, como se fosse um tufão, a vida realmente passa. Quando um relacionamento termina, parece que o mundo está indo junto; ou não. O tempo, por sua vez, traz outro relacionamento; ou não. E tudo se transforma em um grande ciclo. Ter lembranças belas, gostosas talvez seja o fator crucial para entendermos que a vida é como um tufão e assim, nos prepararmos melhor para quando o vento estiver soprando sobre nossos ossos. Fechar o coração não adianta, pois o vento precisa entrar. E fechar o coração pode ser fechar os olhos para novos amores.
Nada é para sempre, tudo termina e, por isso, é preciso aceitar que mesmo os relacionamentos que queremos que durem para sempre um dia se transformarão em passado. E o amor também não é tudo, é preciso mais para ser feliz ao lado de alguém.
Na verdade, estar ao lado de outra pessoa é algo que exige muito. Se você reconhece as suas manias e entende seu jeito de ser, você certamente perceberá o quanto é difícil equilibrar suas manias e seu jeito de ser com as manias e o jeito de ser de outra pessoa. É difícil e isso destrói a idéia de que os opostos se atraem. Os opostos só se atraem nas ciências exatas e o amor é a ciência mais inexata de todas.
Contudo, também não dá para negar que a tentativa de equilibrar-se com outra pessoa não é algo fascinante. No primeiro mês, aquilo de não saber nada sobre o outro, uma insegurança e um infinito medo de errar. Daí os meses vão passando e se a relação vingar a idéia de completar um ano de relacionamento causa aquele suspiro de "como passou rápido". Até que o fim chega. Machuca. Causa lágrimas e às vezes rancor. Mas também os momentos marcantes viram memórias que de vez em quando nos farão lembrar de todos os relacionamentos antigos. Dessas lembranças o que devemos concluir é que os relacionamentos do passado no passado devem ficar.

Thursday, December 25, 2008

Feliz Natal

Como todo ciclo, os anos sempre chegam ao fim. Os sinos de Natal vêm como que se encerra. Os supermercados cheios de gente, muitas compras. Para o comércio esta é a melhor época do ano. Muitos empregos temporários também surgem como um suporte para o grande movimento no comércio.
Mas onde estão aqueles sentimentos puros e serenos? Onde ficou o amor? Talvez esteja escondido nos pacotes de presentes. Talvez esteja dentro de cada presente trocado.
Particularmente, não sinto mais a magia desta data que todos acreditam ser mágica. Não sinto mais aquela sensação de ter sinos, assim como os que tocam nas matrizes, dentro de mim. Bate o sino na matriz, mas em mim não bate mais. Talvez isto seja ruim. Mas eu sei que estou bem e isso realmente importante. Por maiores difíceis que sejam alguns dias, por mais duros que sejam alguns momentos, eu sei que tudo tem uma essência que é boa, que é verdadeira. Há em tudo a possibilidade de se extrair um bom sumo. Acreditemos!
Feliz Natal!

Friday, December 19, 2008

A comer com os olhos


Pessoas comendo é uma das coisas que mais gosto de observar. Mais ainda se a pessoa observada for alguém que desperte o meu interesse de algum modo; fisicamente ou somente pelo modo como come, como pega os talheres, como movimenta a boca ao mastigar. Gosto de ver pessoas que mastigam movimentando todos os músculos da face. Não de uma forma exagerada, grosseira;mas sim de um modo suave, sensual. Acho que esses movimentos da face marcam atitude e fazem as pessoas se diferenciarem. O dançar da face durante a mastigação indica, talvez, que aquela pessoa é intensa e sente as emoções de forma verdadeiramente.
Restaurantes são, portanto, um lugar muito bom para que eu possa me deliciar com a imagem de pessoas comendo. Ontem até tive o prazer de ver alguém (que chamou a minha atenção pela beleza) comer de uma forma delicada e forte, com a face dançando... Que lindo!
Pode parecer loucura isso de gostar de observar pessoas comendo. O ato de comer envolve a boca, e, das partes que compõem a face, depois dos olhos, a boca é a mais atraente para mim. O modo como a boca se mexe desperta a minha atenção. Gosto de ver pessoas com boa dicção falarem e tenho prazer ao ver pessoas comendo como descrevi há pouco. É esse prazer que me deixa interessado e pode ser um dos motivos que fazem surgir em mim a vontade de experimentar a sobremesa com quem comeu e fisgou o meu olhar.
Ah, sobre os morangos... Morango é uma fruta muito erótica. Comer morangos é sensual; e se tiver chocolate, melhor ainda.

Thursday, December 18, 2008

Por estar perto demais

Há momentos na vida nos quais sentimos a real sensação de estar perto demais. Perto de qualquer coisa. Perto de tudo ou de nada. Perto demais dos sentimentos próprios que se colidem com os sentimentos dos outros. Que difícil este encontro!
Estar perto demais pode significar ver as coisas de uma maneira sóbria, com os olhos de alguém que viveu, que amou, que sentiu até onde não se pode mais sentir. Estar perto demais é intenso e mexe com as idéias... Seria, então, estar perto demais a mesma coisa que estar no limite da loucura? Talvez não, pois estar perto demais tem a ver com sanidade.
E, de fato, é maravilhoso estar perto demais. Poder sentir o coração do outro quando se está perto demais no sentido físico. Sentir o pensamento e compreender o que o outro sente quando se está perto demais no sentido emocional. E para os mais variados sentidos estar perto demais vem de um momento que passa a significar muito. Vem de um abraço de ano novo ou de um voto de feliz Natal.
Estar perto demais vem de uma conversa, que vem de um filme, que vem de um plano...
O que na tela era Closer me pôs perto demais, mesmo que por pequenos minutos, de quem eu mais queria estar perto.

Wednesday, December 17, 2008

Para não ficar sem palavras...

Especialmente a Andressa

Para que não faltem palavras a uma amiga muito doce, meiga, bondosa e querida, escrevo com todo o meu coração votos de felicidade, saúde e sucesso. Escrevo rápido e sem pensar muito, pois a pressa impede que palavras elaboradas surjam de minha mente. Mas escrevo com carinho e, pensando bem, melhores são as palavras vindas do acaso e do improviso.
Feliz 21, Dessa! O tempo está passando... Que bom! Melhor ainda (re)descobrir a todas as manhãs a beleza que tem o nascer do sol e enxergar a vida sempre com os olhos de uma pessoa que viveu, vive e deseja viver (sempre intensamente, não se esqueça!).
O mais carinhoso dos abraços...

Wednesday, December 10, 2008

Dia melódico

Dedicado a Áurea (pelo bilhete)


Hoje vivi um dia muito agradável. A chuva parece ter contido o calor que vinha maltratando os dias de todos. Sinto-me repleto de um sentimento que não sei descrever, mas que me inunda como há tempos não inundava. Apesar de terem batido no meu carro, me sinto bem. Apenas a placa foi amassada, sem maiores problemas, graças aos poderes superiores.

Descobri esses dias a banda Beirut. Gostei muito da mistura que eles fazem entre o folk e ritmos característicos da música do leste Europeu. As músicas são suaves, doces... A melodia faz o corpo ir, caminhar mansamente, e dá vontade de dançar. Para ser sincero, ainda não reparei nas letras, até agora estou preso na melodia.

Foi com a melodia na mente e com o barulho da chuva que eu acordei hoje de manhã. Tinha algo suave no ar, “verdadeiro e sumarento”, utilizando palavras de Clarice Lispector em Amor. Senti como se a vida fosse algo pleno e com muito a oferecer. Que bom acreditar!

Acreditei muito também no trabalho, dei aula pela manhã e à tarde. Não almocei em casa, passei o dia ocupado, mas com um sentimento de satisfação. Talvez seja o fato de que o ano está acabando. Essa coisa de fim de ano mexe muito comigo. Tem para mim um significado muito forte. É um ciclo que termina e anuncia um outro. É a dúvida e a possibilidade de sucesso, surpresa, amor... Que não venham lágrimas, pois no ano que termina eu perdi muito, e perdi algo que nenhum ganho pode cobrir.

Mas o que interessa é o dia de hoje. São algumas opiniões em constante mutação que dão sentido as linhas que escrevo. Ontem só pensava em instinto, e hoje eu queria um abraço. Abraço não é instinto, é o primeiro encontro íntimo de dois corpos, pois põe os corações em contato, ainda que por debaixo da pele. Abraço é pele, mas não é instinto.

O que também mudou foi a sensação térmica. Num relance, o frio passou e o corpo esquentou de novo. Isso é reação química. É paixão. Há pessoas que fazem seu corpo esquentar, enquanto suas mãos esfriam feito gelo. Se fosse para as mãos frias, a desculpa seria o “coitado” do vento, mas e para o calor?...

Está bem! Tudo está bem e espero que continue bem. Quero mais dias como esse (mas sem placa amassada). Quero digressões como as de hoje. Quero abraços... Quero um abraço em especial. E quero abraçar meus dias e fazê-los verdadeiramente meus, como que a dar algo de legítimo a eles. Quero, por fim, aquele sorriso que não sei o que significa, mas que desejo que seja meu.

Monday, December 08, 2008

Despidos


De repente eles se olham. Os corpos já denunciam o que querem. Então, sem nenhum pudor, os corpos se unem de modo feroz. Eles se beijam e fazem sexo. Um sexo que é apenas instinto, vontade. Não há sentimentos, não há nada retirado de romances românticos. Não há história de amor. Há dois corpos em brasa que buscam compensação para alguma coisa. Nem cortesia há.
Se houve prazer, a pele agradece e os dias tendem a ficar mais tranqüilos.