Tuesday, September 30, 2008

Fluxo de vida

Os dias seguem e a vida assustadoramente se repete. É como o mito do eterno retorno. O presente é apenas o passado modificado, ou repaginado, para usar um termo atual.
As pessoas são as mesmas, os conflitos também. Os mesmos conflitos se diferenciam pelas pessoas que os vivem. Já as mesmas pessoas são diferentes pelos conflitos que enfrentam. Mas tudo gira em círculo.
Haverá sempre aquela sensação de 'eu já estive aqui'. Haverá sempre aquilo de já ter visto alguém em outro lugar. Poucas muitas pessoas aparecerão em nossas vidas. Algumas delas surgirão e de algum modo criarão laços conosco. Outras, por sua vez, não aparecerão mais que uma vez e nós teremos que viver com uma solitária dúvida, sem saber se aquela pessoa ainda existe.
Não importa onde você esteja. Há sempre um infinito de fatos sucessivamente se repetindo. Se você está no Iraque, talvez veja bombas... Se está em Nova York no fim de ano, certamente verá neve... Mas não importa onde você esteja, pois as mesmas coisas sempre acontecerão e nenhum de nós poderá jamais alterar a correnteza da vida.

Sunday, September 28, 2008

Surpresas

Nunca gostei muito de feijão.
Quando eu era criança, eu não gostava da casquinha, queria apenas a massa. Mas também não dava para pedir que alguém tirasse aquela casquinha e me desse apenas a massa que eu suportava comer.
Vejo que na vida há sempre preferências por massas ou por cascas. Às vezes, você deseja muito uma coisa e acredita que ela só possa estar em um determinado lugar ou que só a massa possa ser saborosa. E é difícil desconstruir idéias, conceitos previamente estabelecidos.
É como se você acreditasse que o cachorro é o animal que toma conta da casa e o gato é aquele que roça em suas pernas o tempo todo, sem jamais pensar que o gato também pode proteger e que o cachorro também pode roçar em suas pernas. Tudo que foge ao que nós acreditamos é surpresa e, algumas da surpresas que a vida nos traz são muito boas.
Mas esperar a surpresa??? Talvez esteja aí uma grande dificuldade nossa... As surpresas simplesmente são surpresas e não marcam hora no dentista nem no salão de beleza. A surpresa vem determinada por uma decisão que você toma em um segundo. É algo tão rápido que você só se dá conta depois que aconteceu. Mas é tão intenso quanto o prazer da música favorita. E é forte quanto o abraço que você mais desejou.
Eu desejei abraços que vieram da surpresa.
A partir de agora eu tentarei não separar a casquinha da massa. Minha surpresa pode estar na completude do feijão.

Wednesday, September 03, 2008

Hoje

Hoje passei o dia me sentindo cansado. Um cansaço físico... minhas pernas estavam pesando. Um cansaço mental... a cabeça pesava, os pensamentos pesavam. E além disso, ainda a terrível sensação de vazio, "aquilo" de algo incompleto...
Hoje foi um dia daqueles nos quais você consegue se agüentar.
Preciso de férias, preciso de colo, preciso de um tempo marcado para mim. Preciso passear no shopping, comprar besteira, tomar sorvete como se nada estivesse acontecendo lá fora.
Sinto que preciso tanto que minhas carências fazem com que eu não saiba de mais nada.
Preciso de um casaco de lã para o meu coração.

Wednesday, August 06, 2008

Conversa Vitoriana de Padaria

Outra dia, assisti ao filme Razão e Sensibilidade (Sense and Sensibility, 1995) como objeto de estudo para conhecer um pouco sobre a Era Vitoriana. Uma das cenas que mais me impressionou foi a cena na qual a mãe disse a suas filhas, personagens vividas por Emma Thompson e Kate Winslet, que quando não se tem sobre o que falar, deve-se falar sobre o tempo.
De fato, o diálogo da mãe com as filhas revela muito sobre o comportamento, sobre os tabus existentes naquela época. O que, entretanto, é mais interessante é o modo como os resquícios da Vitorian Age ainda estão presentes nos nossos dias.
Quando cheguei ao caixa da padaria, esta tarde, cumprimentei a funcionária (já velha conhecida, pois há anos compro pão nesta padaria) com um “tudo bem?”. O cumprimento costumeiro, hoje, e talvez várias outras vezes, foi seguido pelo meu comentário: “Este tempo maluco; ora faz sol, ora chove!”. Isso não lembra o que a mãe disse às filhas em Razão e Sensibilidade? Não poderia eu estar na mesma cena? Não! Eu não poderia estar lá, pois o filme é ambientado entre o fim do século XIX e o início do século XX – não lembro ao certo –, e eu, eu vivo no presente século XXI.
Mas enfim, o que tudo isso me disse foi que o presente tem mais do passado do que nós podemos imaginar. O presente é uma releitura de um passado e será relido por um futuro próximo. Estamos presos ao passado – é inevitável – e o nosso futuro estará preso ao presente de hoje.
Talvez seja hora de cuidar do presente e de tentar resgatar e guardar com carinho o passado que, ao contrário do que imaginamos, não está tão distante. Até quando se falará sobre o tempo quando não se tiver sobre o que falar?

Monday, August 04, 2008

Presentes

Queria um soneto, queria um romance, queria uma poesia...
Queria os beijos que o mundo pode dar e os abraços do Universo.
Queria uma epifania, queria uma fada madrinha, queria um sorvete de menta com chocolate.
Queria tudo, e nada.
Queria aquelas quatro letrinhas que deixam a pele mais bonita...

De véspera

Houve anos em que esperava ansiosamente pelo dia do meu aniversário. Nenhum dia no ano era tão significativo, tão importante quando o dia 5 de agosto, que, além de tudo, é feriado em João Pessoa.
Como sempre morei aqui, quando criança o dia era mágico, ou mágica era idéia de não ter que ir à escola. Eu ficava em casa, podia brincar com todos os brinquedos da minha caixinha. E também podia aproveitar os novos brinquedos que estavam chegando naquele dia. Eu via cada brigadeiro ser enrolado. Via o bolo de chocolate com cobertura de chocolate e, no fim da tarde, os parabéns. A família em volta da mesa para celebrar nada, mas a mim!
Os anos se passaram e, já não mais criança, a magia do aniversário de certo modo ainda existia. A ansiedade podia não ser a mesma, mas ela ainda estava ali. Mas foram anos, são anos que me separam daquela infância onde tudo era lúdico, tudo era celebração. Perdas, desavenças, angústias, frustrações... Tudo isso foi me levando embora as velhas borboletas que passeavam pelo meu estômago nos dias que antecediam o meu aniversário. Lá, o dia era marcado no calendário antes mesmo de o ano começar; cá, não vejo marcas na folhinha de agosto do meu calendário. Mas por que tudo mudou?
Hoje, me encontro à véspera de mais um aniversário. Não posso mentir e dizer que não me sinto um pouco ansioso. Sou egocêntrico e é bom ser o centro das atenções. Serão ligações, e-mails, scraps (que por sinal me aborrecem, pois acho fria essa forma de orkut-parabenizar). O dia ainda parará, ainda moro em João Pessoa...
Há dias e também agora, me sinto um pouco deprimido, nostálgico talvez. Por que lembrar de tudo em um único dia? Isso é tão Mrs. Dalloway... Mas não, ao contrário da personagem de Virginia Woolf, eu não queria dar uma festa e nem comprar eu mesmo as flores. Também não sei o que queria (a cada ano que passa tenho mais certeza de que sobre nada tenho certeza). A cada nova idade, tudo parece mais claro, ou seja, enxergo com os olhos mais velhos que tudo é incerto, que tudo tem dois lados.
Mas que bom! É verdadeiramente bom saber que, apesar de tudo, você está vivo e que, ainda que seja muito difícil acreditar, a esperança sempre existe, pois sempre existirá a possibilidade de se ser mais feliz; ou não.

Sunday, July 20, 2008

A vida é poesia

É deveras estranho ou talvez absurdamente óbvio o fato de eu achar o mundo poético. Na verdade é como se cada dia fosse um verso; as etapas da vida, uma estrofe; e a vida inteira, um imenso poema. Sendo poesia, os tais versos da vida são livres e brancos, não seguem métrica nem rimam entre si. A vida tem uma melodia surpreendentemente construída sem rimas e sem arranjos poéticos. Não há nada de clássico. Há apenas um desejo que segue por entre as linhas. Existe desde o primeiro dia até o dia final um sentimento que não se traduz e que dificilmente alguém entenderá. Pois é, morremos e não entendemos o tal desejo, que sufoca, tira o fôlego, levando embora qualquer vestígio de ar.
Há momentos nos quais eu sinto estranho tudo o que pareceria óbvio. É uma sensação vaga, angustiante por ser vaga. Parece-me, certas vezes, que não sei o caminho, ou que não existe caminho. Por esta e aquela razões, parece-me que meu corpo está parado e que a vida perdeu o rumo.
Tudo, às vezes, é uma questão de sentir que se sente, mas por não enteder, sente-se que não há sentimento algum. É tudo um oco infinito. Um hole, pois em Inglês o som da palavra parece mais poético, e como disse no início, a vida me parece poesia.

Tuesday, July 08, 2008

Ainda sobre saudade


Hoje, quando eu estava no estacionamento da universidade, dentro do carro esperando a chuva passar, uma pessoa passou. Passou rápido, vi pelo retrovisor, mas trouxe lembranças intensas. Não sei se é porque essa pessoa já foi, um dia, muito especial para mim, ou se é porque uma sensação de tempo passado surgiu representada por sua imagem no retrovisor.
Verdade, sinto saudades de muitas coisas vividas naquele tempo: um tempo em que os problemas não eram tantos, as obrigações eram menores e a vida, embora parecesse complexa, era bem mais fácil de ser vivida. Sinto saudades dos corredores daquele lugar, das pessoas, das conversas tolas, sem proveito. Sinto saudades dos cochilos na aula de Física, da interação nas aulas de Português. Sinto saudades das aulas que matava pelos corredores que só agora percebo como eram amados.
Vivi tudo intensamente, senti com todo o meu coração a paixão por alguém que hoje apareceu-me pelo retrovisor. Oh! tolices de um jovem apaixonado que nem sabia o que era o amor.
Não! Não quero reviver paixões do passado, mas me sinto um tanto quanto cansado do meu presente tumultoado. Cansaço por ter que cuidar de mim mesmo, com responsabilidades que naquele tempo pensei que não existissem.
Mas a vida é curta, o tempo passa e as saudades vêm. E tudo, um dia, vai passar para sempre.

Monday, July 07, 2008

Encontrei a saudade!

Uma boa limpeza é necessária sempre. É preciso arrumar desde os livros espalhados sobre a mesa até os arquivos amontoados na memória do computador. Pois bem, estava eu vasculhando meu computador (e devo dizer esta experiência é quase como vasculhar um computador alheio, pois encontro tantas coisas das quais nem lembrava mais) e achei esse belo poema de Neruda:

Saudade

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado
que ainda não passou,
é recusar um presente que
nos machuca, é não ver o futuro
que nos convida...

Saudade é sentir que existe
o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
"aquela que nunca amou."
E esse é o maior dos sofrimentos:

Não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido...

Pablo Neruda

Monday, June 30, 2008

Epifania definitiva

Acredito que todos nós um dia já tivemos (e se não tivemos, teremos um dia) a surpreendente e cruel descoberta de que caminhamos para o fim. Para mim, não sei se tal reflexão veio cedo ou tarde. Sei, porém, que desde que assisti, há algumas semanas atrás, ao documentário "Nós que aqui estamos, por vós esperamos", do diretor Marcelo Masagão, que comecei a entrar neste canal de pensamento. O documentário é uma espécie de retrospectiva do que foi o século XX, com todas as suas glórias e, principalmente, com todas as suas desgraças; e na última cena do filme, o diretor traz uma sacada inteligentíssima sobre o que é a vida e nos mostra que o fim do caminho que percorremos durante toda a vida é o fim, literalmente.
Mas as recordações, as reflexões que tive a partir do filme foram ficando guardadas, adormecidas; muito embora tenham sido responsáveis por uma forte descarga emocional. No último sábado, tudo veio à tona. De maneira forte e avassaladora, a idéia do fim surgiu em meus pensamentos sob um fluxo de consciência. E o mais engraçado de tudo isso é que as águas que me afundaram neste fluxo foram trazidas pelo espelho do meu banheiro.
Após o banho, olhei-me no espelho e percebi que, por mais que ainda tenha um rosto jovem, este já é bem diferente do rosto daquele menino que lá no fim do século XX esperava pelo ano 2000, quando completaria 13 anos. Percebi que meu rosto ainda mudará muito, virão as rugas, as marcas do tempo... A pele não será a mesma por mais dinheiro que eu gaste com cremes e produtos contra envelhecimento. Nenhuma cirurgia deixa cicatrizes tão acentuadas quanto o tempo!
Vi por aquele espelho todas as minhas preocupações e angústias. Vi as desilusões, vi a correria do dia-a-dia maluco que levo. Vi a face de alguns professores que muito exigem, vi a face de alguns alunos que muito aborrecem. Vi as exigências, os prazos. Ouvi as lágrimas de uma vida repleta de dificuldades e decepções. Senti o sabor amargo das frustrações de um homem que, embora esteja prestes a completar vinte e uma primaveras, já perdeu muito, já chorou muito, e que de certo modo sente as costas doerem como se nelas estivessem depositadas mais de trinta primaveras.
E no mais profundo instante do meu momento epifânico, enxerguei pelo espelho a coisa mais cruel que meus olhos já enxergaram: vi que nada importa! Não importa o que façamos, o quanto nos preocupemos, o quanto soframos ou choremos. Não importa o quanto trabalhemos, nem o quanto em cremes anti-rugas gastemos. A trilha que seguimos é única e muito estreita. E é ela que levará todos nós ao clímax do romance da vida: a morte!

Thursday, June 12, 2008

"I will always love you somehow"

Thursday, June 05, 2008

Cheers!

"Meu corpo é a taça para um vinho já derramado". (J.M. Júnior)



Queria beber uma taça de vinho apenas. Sentir o gosto suavemente pela minha boca e depois repousar na certeza do infinito...

"To look life in the face, always, to look life in the face. And to know it, for what it is, and at last to love it, for what it is, and then, to put it away...
Always the years between us, always the years... always, the love... always, the hours". (Virginia Woolf)

Today

Fui à cozinha depois de acordar e, pela janela, vi o sol... Enfim um dia sem chuva, um pouco mais quente até. Pelo menos a temperatura está agradável.
Mas ainda há muito gelo se derretendo dentro das veias da alma...

Wednesday, June 04, 2008

Porque já não há

Porque os nossos passos caminham ao relento sobre folhas secas... Tudo ao redor parece está seco como as folhas caídas ao chão. As árvores perderam o verde; os frutos, já nem lembro se um dia existiram... Se é escuro lá fora; aqui dentro, tudo é névoa... Não há flores. E mesmo se houvesse, não haveria Mrs. Dalloway para comprá-las. As flores murchariam sem que ninguém ao menos as tivesse regado.
E a névoa? Ela está cobrindo tudo, tirando a visão e todos os outros sentidos estão perturbados. Não se sente o cheiro das manhãs, não se sente o gosto do chocolate, não se ouve a melodia do vento, não se sente a textura da face amada, não se vê mais o brilho da lua.
Também não sei se haverá primavera, pois as plantas parecem não querer se mover. Os galhos secos apenas gritam, com vozes desesperadas, e imploram, ardentes e congelados, que algum raio os parta de uma vez. E os gritos ecoam... Tão forte que se ainda houvesse audição, certamente os tímpanos explodiriam.
E já não há xícaras de café deixadas sobre a mesa, não há folhas espalhadas por uma mesa de madeira velha, não há sons, não há desejos, não há súplicas ou declarações de um amor eterno. Não há nada de real porque só ficaram as fantasias de uma primavera florida, de uma mesa de madeira nova com as belas flores postas no mais belo vaso de porcelana... Ficaram fantasias de flores que nunca serão compradas.

Sunday, April 06, 2008

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
Vinicius de Moraes

Friday, March 28, 2008

Língua Viva

Queria poder falar a língua do amor. Queria, simplesmente, dominar mais este idioma, pois a mim, já não basta “Eu te amo”, “I love you”, “Ich liebe Dich”, “Je t’aime”, nem qualquer outra forma que sirva apenas para declarar algo que não sei pronunciar...
Não conheço ou não entendo? Há estratégias de leitura? Não sei de onde vem a morfologia, a fonologia, nem tão pouco compreendo os campos semânticos desta de língua cuja fonética é tão irregular.
Suplico-lhes, tão grandes teóricos da linguagem, que desvendem a misteriosa sintaxe do amor.

Friday, March 21, 2008

Melancolia em Recife

Há semanas não escrevo nada aqui, mas hoje, a manhã de chuva e a visão de um céu repleto de nuvens, cinzento, me fizeram refletir sobre muitas coisas. Perdas, dúvidas, erros e acertos, há tanto para pensar. Deve ser por isso, que senti uma forte dose de melancolia.
E pela janela, continuo vendo um céu cinzento aqui na capital pernambucana.

Thursday, February 14, 2008

Piloto automático de mim

Minha alma está doendo! Tudo dentro de mim está fora de ordem. Meus sentidos não sentem como se deve sentir. Meu corpo não reage como eu queria que reagisse. Estou numa espécie de "piloto automático de mim". Queria gritar, mas não consigo. Queria chorar, às vezes até consigo, mas as lágrimas já são poucas. Em alguns instantes, é desespero; noutros, anestesia. Sim, anestesia! O corpo não responde como se estivesse anestesiado. Preciso voltar a pilotar eu mesmo o meu existir.

Tuesday, February 05, 2008

Adeus

Só agora estou conseguindo escrever sobre um dos momentos que sempre acreditei que seria um dos mais difíceis e que, semana passada, eu infelizmente vivi.
A dor da perda é uma dor muito intensa. Mais ainda quando se trata da perda de alguém tão querido, alguém que esteve ao seu lado em momentos tão duros e que lhe carregou no colo, lhe pôs pra dormir, assistiu a suas mais tolas brincadeiras como se fossem as maiores obras da sétima arte.
Perdi minha tão querida avó, a quem com muito amor chamava de mãe, por ter sido ela tão importante na minha criação. Já faz uma semana, mas em meu coração sinto ainda muito forte a angústia da perda. Meus olhos, ao verem tudo que me traz lembranças dela,ainda sentem o ardor das lágrimas já escorridas. É muito intenso e vazio esse sentimento. É difícil aceitar a falta de alguém que outrora acreditei ser imortal.
Por outro lado, é preciso perceber que as pessoas, por mais que as amemos, precisam ir um dia, e vão... As pessoas são como as folhas que caem das árvores em todos os outonos. Para minha tão querida avó, uma mãe incondicional, o outono teve que chegar.

Soneto de separação
(Vinicius de Moraes)

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Saturday, January 05, 2008

"She said she would buy the flowers herself" (V. Woolf)

Indeed, she could buy the flowers herself. We all could buy our own flowers ourselves. But what would life be if we used to do it?
Sometimes people forget their own loneliness as if it wasn't growing inside their hearts, their minds, their souls. If she bought the flowers herself, she would feel her loneliness like never before. It'd be very hard and the pain she would feel could certainly rape the only true thing that was in her: her feelings of love. And she would die, or at least, she would think about death (as she did).
And what about him? Would he buy the flowers himself?
Not at all. He had always prefered the silly instead of the true things. And now he is further from the truth than before, which means the flowers will probably not been bought. Nor himself, nor myself... None of us will buy that big and coloured bunch of flowers. But will the flowers always be waiting in that deep vase, full of water?