Os últimos dias não têm sido muito agradáveis. Sinto-me desmotivado, como se tudo tivesse parado no ar ou como se não houvesse em mim a flexibilidade para acompanhar o movimento do mundo. A cabeça não está muito boa para pensar e produzir as coisas que preciso produzir. Há vinte dias tento me concentrar em um artigo que preciso escrever, mas até agora tenho apenas as duas primeiras páginas. A verdade é que eu não sei bem se quero discutir o assunto proposto. Minha mente está em desordem. Sentimentos e a falta de sentimentos tiram meu equilibrio e meu corpo parece não vencer a gravidade. Como discutir uma teoria se minha íntima teoria está desordenada? Não acho as palavras, não tenho insights. Sinto sono quando vejo os papéis e, até mesmo quando me decido a produzir, meu corpo parece querer desistir. É isso! Acho que estou querendo desistir. E esse sentimento tem muito mais a ver com a Literatura que com a exatidão abstrata da Linguística. Desistir, a imagem de alguém desistindo me parece poesia. A forma como me sinto, a forma como minhas sensações se encontram me parece poesia. É incômodo saber que preciso fazer algo que no meu íntimo não queria, ou que pelo menos não me sinto em condições ideais para fazer.
Algumas situações têm me feito pensar sobre como certas palavras não ditas pesam em nossa boca. Timidez, falta de coragem... São diversos os motivos que por vezes impedem que as palavras saiam. Isso maltrata quem quer falar e, às vezes, frustra quem quer ouvir. Um outro agravante para o não dizer é o medo da reação de quem vai ouvir. É difícil lidar com a rejeição, pior ainda quando se trata de ter as suas palavras tão preciosas rejeitadas e negadas por um seco e curto não. Mas o que fazer com as falas cuidadosamente pensadas e medidas por nossas mentes? Os sons querendo sair, mas os lábios fechados como se ali existisse uma camada de velcro. Angustiante a sensação de querer dizer e não conseguir. Algumas pessoas bebem para se encher de coragem, eu também beberia se não tivesse que dirigir... Mas em certos momentos é tão fácil falar. Acho que também depende de quem vai ouvir. O previsível torna-se um campo seguro para as palavras caminharem. Entretanto, não podemos nos esquecer das surpresas do previsível. Termino com um desejo e um pedido. Desejo conseguir dizer sempre, da melhor maneira, da mais polida e clara maneira dizer o que meus sentimentos produzem. E peço que tudo seja dito, pois as palavras não ditas podem nos ferir eternamente.
Tenho andado meio inundado em meus próprios paradoxos. São basicamente sentimentos que insistem em se misturar e confundir minhas opiniões, meus desejos. Todos esses paradoxos sentimentais são meus e, às vezes, não sei como expressá-los. Sei apenas que não dá para ter tudo e, como a vida é feita de escolhas, só metade das construções paradoxais consegue ser vivida. Acredito que estou meio "Álvares de Azevedo". Assim como ele, estou assumindo duas faces: Ariel e Caliban. O meu Ariel busca a tranquilidade, as coisas amenas. Mas meu Caliban só quer saber de fogo, do mais tórrido desejo. Por fim, tudo está misturado. É tudo confusão como um anjo que não sabe se preserva a luz da paz ou se peca entregando-se aos desejos da carne.
Passados mais 366 dias, cá estamos novamente. Parece que foi ontem que este ano, com um fevereiro de 29 dias, começou. Lembro-me ainda do dia 31 de dezembro de 2007. Agora 2008 está indo. Pois que vá! Tantas coisas aconteceram. Foram sorrisos de vontades incontroláveis de sorrir. Foram muitas lágrimas que jorraram de olhos que não sabiam como não derramar seus rios. Ganhos e perdas, como sempre. Em alguns momentos a alegria não pôde ser contida. Houve também aqueles instantes em que o chão parecia se abrir para engolir os corpos que sobre ele tentavam se movimentar. Perdi momentos mal aproveitados, perdi dinheiro com gastos desnecessários ou imprevistos. Perdi um relacionamento que agora está no passado. Perda difícil, pois nunca é fácil enxergar o fim! E também não foi fácil enxugar as lágrimas da mais dolorosa perda que esse ano trouxe. Ainda não é fácil lembrar e não sentir o queixo tremer. Mas que ela, a querida Maria, descanse em paz! Conheci pessoas interessantes também. A forma de pensar sobre determinados assuntos mudou. Descobri a constante mutação. Amor já não é tudo e há sentimentos que vêm e têm o direito de vir, pois são algo do próprio ser. E como é gostoso falar sobre sentimentos com Maíra, Raíra e Isabel. Falar como ontem durante o jantar na casa de Isabel. Quantas cavilações! A começar pela redescoberta deste termo tão antigo. Mas não é bom olhar as antiguidades, Áurea? 2008 viu gritos e ouviu discussões. E daí vem o entendimento de que não é simples a tarefa de conviver com outras pessoas. Ainda assim, continuo gostando de gente, principalmente pessoas estranhas no melhor estilo Closer. "Hello stranger!" também define a entrada rápida de alguém em uma vida que precisava sentir paixão. O ano começou com amor e termina com uma paixão incerta e, como sempre, complicada. Reuniões e trabalhos na última hora com Marianne, a orientadora que orienta depois de desorientar. Correria, muita correria. Aulas para dar e aulas para assistir. Despedida de alunos queridos e pela primeira vez na vida de um jovem professor, a sensação maravilhosa de dever cumprido. E quanta comida, hein?! Jantares, almoços, lanches rápidos. Desde um aniversário comemorado num restaurante chinês a um desejo de comer sushi que vai ficar para 2009. Andressa pediu Mc Donalds em seu aniversário. Eu também comi batata frita no Bebe blues... Houve também as leituras que deixaram marcas neste coração. Desde uma insustentável leveza do ser ao conhecimento da Macabéa de Clarice Lispector em A hora estrela. E também filmes. O cinema este ano foi para mim algo que poderia ter sido mais. Não que os filmes tenham sido de má qualidade, mas é que eu queria ter ido mais ao cinema. E no mundo, muita tristeza marcou 2008. A violência e a falta de amor destruiu muitas coisas verdadeiras. Chega a ser difícil acreditar no futuro. Todos precisamos mudar. Todos precisamos ser mais honestos com nossos sentimentos, pois o tempo está passando muito rápido. Assim, entre idas e vindas, mais um ano se vai. Que venha o próximo. Aguardo um ano no qual muita coisa importante está para acontecer. Que seja bom e feliz como o sorriso do meu afilhado Igor! Sinto-me mais leve agora, o peso de 2008 já se foi quase que por completo. Resta pouco sobre minhas costas. Feliz Ano Novo!
Estive pensando nos últimos dias sobre relacionamentos do passado. Lembranças significativas de todos eles ficaram guardadas e, às vezes, surgem do lugar mais profundo da memória. São as lembranças boas na maior parte das vezes. A forma de dar carinho de cada uma dessas pessoas que ficaram no passado. O modo como o abraço era dado. O beijo. Até o sexo, se houve, vira lembrança. Nos momentos em que as recordações vêm à tona, nos depararmos com uma espécie de seleção de imagens e sensações é inevitável. Com a seleção, percebemos que algumas pessoas significaram mais que as outras. Talvez pelo tempo que o relacionamento durou ou pela intensidade do sentimento. De umas temos mais lembranças da atração física como se o desejo ou a forma de fazer sexo fosse o grande souvenir; de outras, vem o carinho, as palavras carinhosas... Nunca esquecerei do amor que você tinha por mim e de como me sentia protegido. (Você sabe que é para você que eu falei isso, não é?).
Mas o bom mesmo é perceber que a vida passa e modifica tudo, como se fosse um tufão, a vida realmente passa. Quando um relacionamento termina, parece que o mundo está indo junto; ou não. O tempo, por sua vez, traz outro relacionamento; ou não. E tudo se transforma em um grande ciclo. Ter lembranças belas, gostosas talvez seja o fator crucial para entendermos que a vida é como um tufão e assim, nos prepararmos melhor para quando o vento estiver soprando sobre nossos ossos. Fechar o coração não adianta, pois o vento precisa entrar. E fechar o coração pode ser fechar os olhos para novos amores. Nada é para sempre, tudo termina e, por isso, é preciso aceitar que mesmo os relacionamentos que queremos que durem para sempre um dia se transformarão em passado. E o amor também não é tudo, é preciso mais para ser feliz ao lado de alguém.
Na verdade, estar ao lado de outra pessoa é algo que exige muito. Se você reconhece as suas manias e entende seu jeito de ser, você certamente perceberá o quanto é difícil equilibrar suas manias e seu jeito de ser com as manias e o jeito de ser de outra pessoa. É difícil e isso destrói a idéia de que os opostos se atraem. Os opostos só se atraem nas ciências exatas e o amor é a ciência mais inexata de todas.
Contudo, também não dá para negar que a tentativa de equilibrar-se com outra pessoa não é algo fascinante. No primeiro mês, aquilo de não saber nada sobre o outro, uma insegurança e um infinito medo de errar. Daí os meses vão passando e se a relação vingar a idéia de completar um ano de relacionamento causa aquele suspiro de "como passou rápido". Até que o fim chega. Machuca. Causa lágrimas e às vezes rancor. Mas também os momentos marcantes viram memórias que de vez em quando nos farão lembrar de todos os relacionamentos antigos. Dessas lembranças o que devemos concluir é que os relacionamentos do passado no passado devem ficar.
Como todo ciclo, os anos sempre chegam ao fim. Os sinos de Natal vêm como que se encerra. Os supermercados cheios de gente, muitas compras. Para o comércio esta é a melhor época do ano. Muitos empregos temporários também surgem como um suporte para o grande movimento no comércio. Mas onde estão aqueles sentimentos puros e serenos? Onde ficou o amor? Talvez esteja escondido nos pacotes de presentes. Talvez esteja dentro de cada presente trocado. Particularmente, não sinto mais a magia desta data que todos acreditam ser mágica. Não sinto mais aquela sensação de ter sinos, assim como os que tocam nas matrizes, dentro de mim. Bate o sino na matriz, mas em mim não bate mais. Talvez isto seja ruim. Mas eu sei que estou bem e isso realmente importante. Por maiores difíceis que sejam alguns dias, por mais duros que sejam alguns momentos, eu sei que tudo tem uma essência que é boa, que é verdadeira. Há em tudo a possibilidade de se extrair um bom sumo. Acreditemos! Feliz Natal!
Pessoas comendo é uma das coisas que mais gosto de observar. Mais ainda se a pessoa observada for alguém que desperte o meu interesse de algum modo; fisicamente ou somente pelo modo como come, como pega os talheres, como movimenta a boca ao mastigar. Gosto de ver pessoas que mastigam movimentando todos os músculos da face. Não de uma forma exagerada, grosseira;mas sim de um modo suave, sensual. Acho que esses movimentos da face marcam atitude e fazem as pessoas se diferenciarem. O dançar da face durante a mastigação indica, talvez, que aquela pessoa é intensa e sente as emoções de forma verdadeiramente. Restaurantes são, portanto, um lugar muito bom para que eu possa me deliciar com a imagem de pessoas comendo. Ontem até tive o prazer de ver alguém (que chamou a minha atenção pela beleza) comer de uma forma delicada e forte, com a face dançando... Que lindo! Pode parecer loucura isso de gostar de observar pessoas comendo. O ato de comer envolve a boca, e, das partes que compõem a face, depois dos olhos, a boca é a mais atraente para mim. O modo como a boca se mexe desperta a minha atenção. Gosto de ver pessoas com boa dicção falarem e tenho prazer ao ver pessoas comendo como descrevi há pouco. É esse prazer que me deixa interessado e pode ser um dos motivos que fazem surgir em mim a vontade de experimentar a sobremesa com quem comeu e fisgou o meu olhar.
Ah, sobre os morangos... Morango é uma fruta muito erótica. Comer morangos é sensual; e se tiver chocolate, melhor ainda.
Há momentos na vida nos quais sentimos a real sensação de estar perto demais. Perto de qualquer coisa. Perto de tudo ou de nada. Perto demais dos sentimentos próprios que se colidem com os sentimentos dos outros. Que difícil este encontro! Estar perto demais pode significar ver as coisas de uma maneira sóbria, com os olhos de alguém que viveu, que amou, que sentiu até onde não se pode mais sentir. Estar perto demais é intenso e mexe com as idéias... Seria, então, estar perto demais a mesma coisa que estar no limite da loucura? Talvez não, pois estar perto demais tem a ver com sanidade. E, de fato, é maravilhoso estar perto demais. Poder sentir o coração do outro quando se está perto demais no sentido físico. Sentir o pensamento e compreender o que o outro sente quando se está perto demais no sentido emocional. E para os mais variados sentidos estar perto demais vem de um momento que passa a significar muito. Vem de um abraço de ano novo ou de um voto de feliz Natal. Estar perto demais vem de uma conversa, que vem de um filme, que vem de um plano... O que na tela era Closer me pôs perto demais, mesmo que por pequenos minutos, de quem eu mais queria estar perto.
Para que não faltem palavras a uma amiga muito doce, meiga, bondosa e querida, escrevo com todo o meu coração votos de felicidade, saúde e sucesso. Escrevo rápido e sem pensar muito, pois a pressa impede que palavras elaboradas surjam de minha mente. Mas escrevo com carinho e, pensando bem, melhores são as palavras vindas do acaso e do improviso. Feliz 21, Dessa! O tempo está passando... Que bom! Melhor ainda (re)descobrir a todas as manhãs a beleza que tem o nascer do sol e enxergar a vida sempre com os olhos de uma pessoa que viveu, vive e deseja viver (sempre intensamente, não se esqueça!). O mais carinhoso dos abraços...
Hoje vivi um dia muito agradável. A chuva parece ter contido o calor que vinha maltratando os dias de todos. Sinto-me repleto de um sentimento que não sei descrever, mas que me inunda como há tempos não inundava. Apesar de terem batido no meu carro, me sinto bem. Apenas a placa foi amassada, sem maiores problemas, graças aos poderes superiores.
Descobri esses dias a banda Beirut. Gostei muito da mistura que eles fazem entre o folk e ritmos característicos da música do leste Europeu. As músicas são suaves, doces... A melodia faz o corpo ir, caminhar mansamente, e dá vontade de dançar. Para ser sincero, ainda não reparei nas letras, até agora estou preso na melodia.
Foi com a melodia na mente e com o barulho da chuva que eu acordei hoje de manhã. Tinha algo suave no ar, “verdadeiro e sumarento”, utilizando palavras de Clarice Lispector em Amor. Senti como se a vida fosse algo pleno e com muito a oferecer. Que bom acreditar!
Acreditei muito também no trabalho, dei aula pela manhã e à tarde. Não almocei em casa, passei o dia ocupado, mas com um sentimento de satisfação. Talvez seja o fato de que o ano está acabando. Essa coisa de fim de ano mexe muito comigo. Tem para mim um significado muito forte. É um ciclo que termina e anuncia um outro. É a dúvida e a possibilidade de sucesso, surpresa, amor... Que não venham lágrimas, pois no ano que termina eu perdi muito, e perdi algo que nenhum ganho pode cobrir.
Mas o que interessa é o dia de hoje. São algumas opiniões em constante mutação que dão sentido as linhas que escrevo. Ontem só pensava em instinto, e hoje eu queria um abraço. Abraço não é instinto, é o primeiro encontro íntimo de dois corpos, pois põe os corações em contato, ainda que por debaixo da pele. Abraço é pele, mas não é instinto.
O que também mudou foi a sensação térmica. Num relance, o frio passou e o corpo esquentou de novo. Isso é reação química. É paixão. Há pessoas que fazem seu corpo esquentar, enquanto suas mãos esfriam feito gelo. Se fosse para as mãos frias, a desculpa seria o “coitado” do vento, mas e para o calor?...
Está bem! Tudo está bem e espero que continue bem. Quero mais dias como esse (mas sem placa amassada). Quero digressões como as de hoje. Quero abraços... Quero um abraço em especial. E quero abraçar meus dias e fazê-los verdadeiramente meus, como que a dar algo de legítimo a eles. Quero, por fim, aquele sorriso que não sei o que significa, mas que desejo que seja meu.
De repente eles se olham. Os corpos já denunciam o que querem. Então, sem nenhum pudor, os corpos se unem de modo feroz. Eles se beijam e fazem sexo. Um sexo que é apenas instinto, vontade. Não há sentimentos, não há nada retirado de romances românticos. Não há história de amor. Há dois corpos em brasa que buscam compensação para alguma coisa. Nem cortesia há. Se houve prazer, a pele agradece e os dias tendem a ficar mais tranqüilos.
Dedicado a Andressa (pelos elogios e pelo carinho)
Esses dias minha prima adolescente baixou no meu computador a música Hot and Cold de Katty Perry. A música me parece apenas mais um desabafo adolescente de um garota deixada por seu namorado, mas o título... Hoje eu estava voltando para casa às dez e meia da noite, pouquíssimos carros na rua, e de repente me lembrei do título dessa música. Percebi que ele muito tem a dizer (assim como todas as antíteses) sobre como a vida é construída. Tudo em uma balança que, às vezes pesa mais para um lado; às vezes, mais para o outro. Pode ser, no que diz respeito ao sentir físico, o calor insuportável de uma tarde quente (tal qual a de hoje aqui na cidade) como o hot em questão, e, como o cold, a friozinho agradável da sala de aula (na qual o ar-condicionado é muito mais interessante que a aula propriamente dita). De repente a transição: calor - frio. Fácil, simples assim! Rápido! Se é para falar de sentir psicológico... Nossa! Parece-me, em certas ocasiões, que o fogo que existe dentro de mim vai me levar à loucura! É o calor da vontade. Em outros momentos, quando algo não vai bem, bate um frio que atinge o âmago e congela a alma. É, talvez, a falta de vontade. Pode ser também o calor com que certas palavras saem da boca de alguém e levam uma sensação hot para o corpo do outro. E, de outro lado, pode ser o frio das palavras não pronunciadas que faz com que a boca de alguém pareça uma pedra de gelo, enquanto um corpo se petrifica à espera de estímulos de um outro que, ironicamente, está cold. Então já chega, prefiro o hot do café de minha mãe e o cold de uma coca-cola bem gelada.
De repente, não mais que de repente, um sopro de vida, uma esperança cruza o caminho de alguém que está no estacionamento. Tudo isso numa noite escura, meio fria e num estacionamento quase deserto. E a esperança entra no carro e juntos os dois seguem sob uma atmosfera suave. Enquanto um dá o assunto da conversa; o outro se esforça para não errar a marcha do carro. Enquanto um fala mansamente e com propriedade sobre os assuntos que insere à conversa; o outro pensa em como seria perfeito se os dois corpos se unissem e se fizessem apenas um. Uma esperança de paixão é o que entra pelos vidros abertos do carro, inundando tudo com a adrenalina que parte do corpo de um que se pergunta se também é adrenalina o que o outro exala. Os dois se olham por diversas vezes, um escuta os comentários do outro sobre arquitetura e sobre "politicagem". As vozes de ambos teimam em denunciar aquele "climinha" de um jogo de paixão no qual não há vencedor, mas apenas duas pessoas inteligentes o suficiente para lançar perguntas e comentários cada vez mais perspicazes. Como numa partida de pingue-pongue, enquanto um comenta o gosto do outro pelas saladas; o outro, por sua vez, comenta as mãos frias de um que não sabe onde pôr as mãos geladas e põe a culpa no vento. Coitado do vento... Nenhum dos dois tem idéia de onde isso pode chegar, de qual será o desfecho dessa história apaixonante, excitante, perigosa. O que importa, na verdade, é que para um o sopro de esperança em uma paixão vem e o eleva... Coloca-o no ponto mais alto e lhe dá o direito de repetir mais uma vez a fala de Lisa do filme Paixão à Flor da Pele (Wicker Park): "... I feel beautiful tonight...". E de fato, indeed, ele se sentiu belo, extremamente belo, pois o cheiro de paixão no ar o deixava à flor da pele.
Pratos de comida que denunciam a gula. Barras e barras de chocolate e litros de coca-cola. Indícios diversos de uma ausência, de um vazio que busca incansavelmente ser preenchido. Um telefone que não aguenta mais esperar para tocar, uma caixa de mensagens quase vazia (vazia, se não fosse as mensagens da operadora!!!). Músicas tocando... Against all odds, The blower's daughter e por aí vai... Um sono que não é apenas um descanso, mas também a fuga de uma realidade que não parece colorida. Um capítulo da história que teima em ser escrito em preto e branco. Mas se ao menos houvesse Charles Chaplin... Um coração que espera e precisa, uma mente que sonha e um corpo que arde de tanto sentir frio. Se fosse num circo, o palhaço estaria sem picadeiro e o trapezista não teria mais seu trapézio. E não haveria equilibrista! É como um vento frio num dia de brisa ou como muito calor num dia de verão. É a neve que insiste em cair num inverno frio. Mas se ao menos o setting fosse Nova York... Gritos abafados, lágrimas presas, abraços soltos, beijos desencontrados. O in sem o out. Como sentimentos causam tanto estrago? Como pode não haver cor num filme tão criativo? Um jardim sem flores ou simplesmente um sujeito separado por vírgula de seu predicado. Ou talvez, letras desejando uma bela frase que lhes traga a segurança que somente algumas palavras podem dar.
Os últimos dias têm sido muito quentes. A sensação é de que o mundo vai pegar fogo a qualquer momento. Isso me incomoda demais. Eu detesto calor! Para piorar, a temperatura elevada me tira do sério, me deixa nervoso, profundamente chateado e impaciente.
Hoje, além do fogo que parecia me rodear, o dia ainda foi recheado de melancolia, de coisas que me deixam insatisfeito, de pequenos aborrecimentos que juntos tomam proporções catastróficas, e de ausência... Vai saber que ausência é essa. Ontem fui ao shopping e fiz pequenas compras para acalmar um pouco a minha ansiedade (e, por outro lado, aumentar o saldo devedor do cartão de crédito!!). Aproveitei também o ar-condicionado do shopping como se aquilo me proporcionasse a fantasiosa impressão de que na verdade o mundo não está pegando fogo. E vi vitrines e mais vitrines. Comprei cds virgens, mas ainda fiquei aborrecido por não encontrar algum enfeite novo para pôr na minha árvore de Natal. E que Natal será este! Confesso que me aterroriza um pouco pensar que este ano nossa família já não está mais centrada, ou melhor dizendo, que nossa família já não tem mais o seu centro. E ontem, inclusive, seria seu aniversário... Que saudades da presença da minha avó-mãe!
E hoje... Bom, hoje eu fui ao Hiper Bompreço pagar uma conta. Aproveitei que tinha que ir para Intermares dar aula e parei lá. Caminhei um pouco por seus corredores (por um rápido instante tive vontade de fazer uma enorme feira!). Olhei a seção das cuecas, dos dvds e acabei comprando um creme dental e um chocolate suflair. O chocolate foi a melhor coisa do dia... Por um instante minha boca entrando em contato com o chocolate me deu um incontrolável prazer, como se eu estivesse tendo um orgasmo através do paladar. Mas como na maioria dos orgasmos masculinos, o feeling de prazer passou rápido e tudo voltou ao normal: o calor, a melancolia, os suspiros de meia satisfação. Senti-me como se o bonde da vida tivesse dado uma arrancada súbita e meu saco de tricô tivesse sido lançado ao chão. Da mesma forma que Ana (personagem do conto Amor de Clarice Lispector) senti que tudo era um fio partido.
E ainda estou sentindo... Sentindo a ausência de uma voz docemente sensual ao meu ouvido, de mãos firmes o suficiente para segurar os mantimentos contidos no meu saco de tricô, e da completude sentimental e física que só outro corpo pode oferecer. A ausência da paixão me dilacera!
Só agora me dou conta de que deveria ter comprado outro chocolate suflair.
Antes de mais nada, quero justificar a dedicatória. Hoje eu tive o prazer de ler algumas crônicas desta brilhante professora a quem estou dedicando esta postagem. Ao ler as crônicas, tive sempre nítida a imagem de seu sorriso, como se ela estivesse me contando, pessoalmente, o que estava escrito em seu texto. Pela imagem e pela inspiração, resolvi fazer a dedicatória.
Esta é a minha centésima postagem neste blog. Entre os cem textos escritos aqui eu posso achar muito de mim mesmo. Posso matar as saudades de coisas que já ficaram no passado, posso revivê-las sentindo a mesma emoção de quando aconteceram. Posso lembrar também de frases, citações que para este espaço transcrevi. Posso olhar das primeiras postagens às últimas e redescobrir sonhos de um adolescente que se confundem com os sonhos de um homem jovem, que em muitas coisas não acredita mais. Há muitos sentimentos depositados nas letras que já escrevi... Quantas tristezas! Quantas paixões! Posso arriscar que minhas cem postagens são provas de pelo menos três paixões.
Ultrapassando os limites emocionais, eu posso, sem falsa modéstia, perceber o quanto amadureci como homem e também como um escritor. Eu sempre escrevi os meus sentimentos... Eu escrevo com o que sinto e mais nada. Mas, ainda assim, é preciso dizer que a forma como eu organizo minhas idéias hoje, as palavras que uso são diferentes das palavras que eu usava nas primeiras postagens. Acredito que devo isto às leituras que fiz ao longo dos últimos anos. Devo muito também - no que diz respeito ao modo como exponho meus sentimentos - às pessoas delicadas e sensíveis com as quais tive o imenso prazer de conviver. Ah, se o mundo inteiro tivesse a abstração de Eveline! Ah, se o mundo inteiro tivesse a delicada e deslumbrante sensibilidade de Ana Adelaide! E não vou esquecer... Não posso desconsiderar o toque da entorpecente racionalidade de Áurea.
Posso voar em minhas palavras. Sinto que minhas letras são como pássaros que voam alto, bem alto... E não me importo se serei lido ou não. A única coisa com a qual me importo é alcançar o horizonte de meus sentimentos mais íntimos.
Como já disse anteriormente, ontem eu encontrei alguém do passado... Parece-me deveras irônico encontrar um "defunto" na véspera do dia de Finados!!! Pensei sobre isso hoje e talvez tudo esteja muito bem arquitetado como num grande espetáculo teatral onde cada um dos vários personagens tem muito bem marcadas as suas entradas no palco da peça.
Nós somos personagens de uma história previamente escrita? Ou somos personagens de uma história que aos poucos toma forma? Por que tudo é tão brilhantemente perfeito? Por que cada entrada é tão perfeitamente ensaiada? Quando foi que nós ensaiamos as cenas dessa vida tão incerta?
E continuo me perguntando... Por que após o ensaio nós não corrigimos as falhas antes que elas fossem ao ar?
Não sei responder as íntimas questões que trouxe hoje, só sei que acredito nas palavras de Shakespeare: "All the world is a stage".
É bem verdade que o tempo carrega sentimentos e faz com que algumas dores sejam curadas. Mas quem pode garantir que o passado não mais se colocará a sua porta?
O passado pode aparecer no seu caminho e fazer você dar a volta. Uma volta ao que está preso ao passado, ao sentimento que estava deixado de lado. Pior ainda é perceber que nada do passado mudou. É como se, não havendo prazo de validade, o que já foi tivesse sido guardado na geladeira para ser descongelado depois. Oh, ponto de ônibus, como assumiste bem o papel de um microondas!!!
E dar a volta esteve além do simbólico... ou além do concreto... Não sei! Sei que uma marca intensa do passado cruzou meu caminho e trouxe muitas lembranças. Uma visão real puxou visões imaginárias de cenas de um pretérito imperfeito, por não ser acabado.
Um passado louro, que continua reluzindo como o sol.
Os dias seguem e a vida assustadoramente se repete. É como o mito do eterno retorno. O presente é apenas o passado modificado, ou repaginado, para usar um termo atual.
As pessoas são as mesmas, os conflitos também. Os mesmos conflitos se diferenciam pelas pessoas que os vivem. Já as mesmas pessoas são diferentes pelos conflitos que enfrentam. Mas tudo gira em círculo.
Haverá sempre aquela sensação de 'eu já estive aqui'. Haverá sempre aquilo de já ter visto alguém em outro lugar. Poucas muitas pessoas aparecerão em nossas vidas. Algumas delas surgirão e de algum modo criarão laços conosco. Outras, por sua vez, não aparecerão mais que uma vez e nós teremos que viver com uma solitária dúvida, sem saber se aquela pessoa ainda existe.
Não importa onde você esteja. Há sempre um infinito de fatos sucessivamente se repetindo. Se você está no Iraque, talvez veja bombas... Se está em Nova York no fim de ano, certamente verá neve... Mas não importa onde você esteja, pois as mesmas coisas sempre acontecerão e nenhum de nós poderá jamais alterar a correnteza da vida.
Quando eu era criança, eu não gostava da casquinha, queria apenas a massa. Mas também não dava para pedir que alguém tirasse aquela casquinha e me desse apenas a massa que eu suportava comer.
Vejo que na vida há sempre preferências por massas ou por cascas. Às vezes, você deseja muito uma coisa e acredita que ela só possa estar em um determinado lugar ou que só a massa possa ser saborosa. E é difícil desconstruir idéias, conceitos previamente estabelecidos.
É como se você acreditasse que o cachorro é o animal que toma conta da casa e o gato é aquele que roça em suas pernas o tempo todo, sem jamais pensar que o gato também pode proteger e que o cachorro também pode roçar em suas pernas. Tudo que foge ao que nós acreditamos é surpresa e, algumas da surpresas que a vida nos traz são muito boas.
Mas esperar a surpresa??? Talvez esteja aí uma grande dificuldade nossa... As surpresas simplesmente são surpresas e não marcam hora no dentista nem no salão de beleza. A surpresa vem determinada por uma decisão que você toma em um segundo. É algo tão rápido que você só se dá conta depois que aconteceu. Mas é tão intenso quanto o prazer da música favorita. E é forte quanto o abraço que você mais desejou.
Eu desejei abraços que vieram da surpresa.
A partir de agora eu tentarei não separar a casquinha da massa. Minha surpresa pode estar na completude do feijão.
Hoje passei o dia me sentindo cansado. Um cansaço físico... minhas pernas estavam pesando. Um cansaço mental... a cabeça pesava, os pensamentos pesavam. E além disso, ainda a terrível sensação de vazio, "aquilo" de algo incompleto...
Hoje foi um dia daqueles nos quais você consegue se agüentar.
Preciso de férias, preciso de colo, preciso de um tempo marcado para mim. Preciso passear no shopping, comprar besteira, tomar sorvete como se nada estivesse acontecendo lá fora.
Sinto que preciso tanto que minhas carências fazem com que eu não saiba de mais nada.
Outra dia, assisti ao filme Razão e Sensibilidade (Sense and Sensibility, 1995) como objeto de estudo para conhecer um pouco sobre a Era Vitoriana. Uma das cenas que mais me impressionou foi a cena na qual a mãe disse a suas filhas, personagens vividas por Emma Thompson e Kate Winslet, que quando não se tem sobre o que falar, deve-se falar sobre o tempo. De fato, o diálogo da mãe com as filhas revela muito sobre o comportamento, sobre os tabus existentes naquela época. O que, entretanto, é mais interessante é o modo como os resquícios da Vitorian Age ainda estão presentes nos nossos dias. Quando cheguei ao caixa da padaria, esta tarde, cumprimentei a funcionária (já velha conhecida, pois há anos compro pão nesta padaria) com um “tudo bem?”. O cumprimento costumeiro, hoje, e talvez várias outras vezes, foi seguido pelo meu comentário: “Este tempo maluco; ora faz sol, ora chove!”. Isso não lembra o que a mãe disse às filhas em Razão e Sensibilidade? Não poderia eu estar na mesma cena? Não! Eu não poderia estar lá, pois o filme é ambientado entre o fim do século XIX e o início do século XX – não lembro ao certo –, e eu, eu vivo no presente século XXI. Mas enfim, o que tudo isso me disse foi que o presente tem mais do passado do que nós podemos imaginar. O presente é uma releitura de um passado e será relido por um futuro próximo. Estamos presos ao passado – é inevitável – e o nosso futuro estará preso ao presente de hoje. Talvez seja hora de cuidar do presente e de tentar resgatar e guardar com carinho o passado que, ao contrário do que imaginamos, não está tão distante. Até quando se falará sobre o tempo quando não se tiver sobre o que falar?
Queria um soneto, queria um romance, queria uma poesia... Queria os beijos que o mundo pode dar e os abraços do Universo. Queria uma epifania, queria uma fada madrinha, queria um sorvete de menta com chocolate. Queria tudo, e nada. Queria aquelas quatro letrinhas que deixam a pele mais bonita...
Houve anos em que esperava ansiosamente pelo dia do meu aniversário. Nenhum dia no ano era tão significativo, tão importante quando o dia 5 de agosto, que, além de tudo, é feriado em João Pessoa. Como sempre morei aqui, quando criança o dia era mágico, ou mágica era idéia de não ter que ir à escola. Eu ficava em casa, podia brincar com todos os brinquedos da minha caixinha. E também podia aproveitar os novos brinquedos que estavam chegando naquele dia. Eu via cada brigadeiro ser enrolado. Via o bolo de chocolate com cobertura de chocolate e, no fim da tarde, os parabéns. A família em volta da mesa para celebrar nada, mas a mim! Os anos se passaram e, já não mais criança, a magia do aniversário de certo modo ainda existia. A ansiedade podia não ser a mesma, mas ela ainda estava ali. Mas foram anos, são anos que me separam daquela infância onde tudo era lúdico, tudo era celebração. Perdas, desavenças, angústias, frustrações... Tudo isso foi me levando embora as velhas borboletas que passeavam pelo meu estômago nos dias que antecediam o meu aniversário. Lá, o dia era marcado no calendário antes mesmo de o ano começar; cá, não vejo marcas na folhinha de agosto do meu calendário. Mas por que tudo mudou? Hoje, me encontro à véspera de mais um aniversário. Não posso mentir e dizer que não me sinto um pouco ansioso. Sou egocêntrico e é bom ser o centro das atenções. Serão ligações, e-mails, scraps (que por sinal me aborrecem, pois acho fria essa forma de orkut-parabenizar). O dia ainda parará, ainda moro em João Pessoa... Há dias e também agora, me sinto um pouco deprimido, nostálgico talvez. Por que lembrar de tudo em um único dia? Isso é tão Mrs. Dalloway... Mas não, ao contrário da personagem de Virginia Woolf, eu não queria dar uma festa e nem comprar eu mesmo as flores. Também não sei o que queria (a cada ano que passa tenho mais certeza de que sobre nada tenho certeza). A cada nova idade, tudo parece mais claro, ou seja, enxergo com os olhos mais velhos que tudo é incerto, que tudo tem dois lados. Mas que bom! É verdadeiramente bom saber que, apesar de tudo, você está vivo e que, ainda que seja muito difícil acreditar, a esperança sempre existe, pois sempre existirá a possibilidade de se ser mais feliz; ou não.
É deveras estranho ou talvez absurdamente óbvio o fato de eu achar o mundo poético. Na verdade é como se cada dia fosse um verso; as etapas da vida, uma estrofe; e a vida inteira, um imenso poema. Sendo poesia, os tais versos da vida são livres e brancos, não seguem métrica nem rimam entre si. A vida tem uma melodia surpreendentemente construída sem rimas e sem arranjos poéticos. Não há nada de clássico. Há apenas um desejo que segue por entre as linhas. Existe desde o primeiro dia até o dia final um sentimento que não se traduz e que dificilmente alguém entenderá. Pois é, morremos e não entendemos o tal desejo, que sufoca, tira o fôlego, levando embora qualquer vestígio de ar.
Há momentos nos quais eu sinto estranho tudo o que pareceria óbvio. É uma sensação vaga, angustiante por ser vaga. Parece-me, certas vezes, que não sei o caminho, ou que não existe caminho. Por esta e aquela razões, parece-me que meu corpo está parado e que a vida perdeu o rumo.
Tudo, às vezes, é uma questão de sentir que se sente, mas por não enteder, sente-se que não há sentimento algum. É tudo um oco infinito. Um hole, pois em Inglês o som da palavra parece mais poético, e como disse no início, a vida me parece poesia.
Hoje, quando eu estava no estacionamento da universidade, dentro do carro esperando a chuva passar, uma pessoa passou. Passou rápido, vi pelo retrovisor, mas trouxe lembranças intensas. Não sei se é porque essa pessoa já foi, um dia, muito especial para mim, ou se é porque uma sensação de tempo passado surgiu representada por sua imagem no retrovisor. Verdade, sinto saudades de muitas coisas vividas naquele tempo: um tempo em que os problemas não eram tantos, as obrigações eram menores e a vida, embora parecesse complexa, era bem mais fácil de ser vivida. Sinto saudades dos corredores daquele lugar, das pessoas, das conversas tolas, sem proveito. Sinto saudades dos cochilos na aula de Física, da interação nas aulas de Português. Sinto saudades das aulas que matava pelos corredores que só agora percebo como eram amados. Vivi tudo intensamente, senti com todo o meu coração a paixão por alguém que hoje apareceu-me pelo retrovisor. Oh! tolices de um jovem apaixonado que nem sabia o que era o amor. Não! Não quero reviver paixões do passado, mas me sinto um tanto quanto cansado do meu presente tumultoado. Cansaço por ter que cuidar de mim mesmo, com responsabilidades que naquele tempo pensei que não existissem.Mas a vida é curta, o tempo passa e as saudades vêm. E tudo, um dia, vai passar para sempre.
Uma boa limpeza é necessária sempre. É preciso arrumar desde os livros espalhados sobre a mesa até os arquivos amontoados na memória do computador. Pois bem, estava eu vasculhando meu computador (e devo dizer esta experiência é quase como vasculhar um computador alheio, pois encontro tantas coisas das quais nem lembrava mais) e achei esse belo poema de Neruda:
Saudade Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já... Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos machuca, é não ver o futuro que nos convida... Saudade é sentir que existe o que não existe mais... Saudade é o inferno dos que perderam, é a dor dos que ficaram para trás, é o gosto de morte na boca dos que continuam... Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: "aquela que nunca amou." E esse é o maior dos sofrimentos: Não ter por quem sentir saudades, passar pela vida e não viver. O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido... Pablo Neruda
Acredito que todos nós um dia já tivemos (e se não tivemos, teremos um dia) a surpreendente e cruel descoberta de que caminhamos para o fim. Para mim, não sei se tal reflexão veio cedo ou tarde. Sei, porém, que desde que assisti, há algumas semanas atrás, ao documentário "Nós que aqui estamos, por vós esperamos", do diretor Marcelo Masagão, que comecei a entrar neste canal de pensamento. O documentário é uma espécie de retrospectiva do que foi o século XX, com todas as suas glórias e, principalmente, com todas as suas desgraças; e na última cena do filme, o diretor traz uma sacada inteligentíssima sobre o que é a vida e nos mostra que o fim do caminho que percorremos durante toda a vida é o fim, literalmente.
Mas as recordações, as reflexões que tive a partir do filme foram ficando guardadas, adormecidas; muito embora tenham sido responsáveis por uma forte descarga emocional. No último sábado, tudo veio à tona. De maneira forte e avassaladora, a idéia do fim surgiu em meus pensamentos sob um fluxo de consciência. E o mais engraçado de tudo isso é que as águas que me afundaram neste fluxo foram trazidas pelo espelho do meu banheiro.
Após o banho, olhei-me no espelho e percebi que, por mais que ainda tenha um rosto jovem, este já é bem diferente do rosto daquele menino que lá no fim do século XX esperava pelo ano 2000, quando completaria 13 anos. Percebi que meu rosto ainda mudará muito, virão as rugas, as marcas do tempo... A pele não será a mesma por mais dinheiro que eu gaste com cremes e produtos contra envelhecimento. Nenhuma cirurgia deixa cicatrizes tão acentuadas quanto o tempo!
Vi por aquele espelho todas as minhas preocupações e angústias. Vi as desilusões, vi a correria do dia-a-dia maluco que levo. Vi a face de alguns professores que muito exigem, vi a face de alguns alunos que muito aborrecem. Vi as exigências, os prazos. Ouvi as lágrimas de uma vida repleta de dificuldades e decepções. Senti o sabor amargo das frustrações de um homem que, embora esteja prestes a completar vinte e uma primaveras, já perdeu muito, já chorou muito, e que de certo modo sente as costas doerem como se nelas estivessem depositadas mais de trinta primaveras.
E no mais profundo instante do meu momento epifânico, enxerguei pelo espelho a coisa mais cruel que meus olhos já enxergaram: vi que nada importa! Não importa o que façamos, o quanto nos preocupemos, o quanto soframos ou choremos. Não importa o quanto trabalhemos, nem o quanto em cremes anti-rugas gastemos. A trilha que seguimos é única e muito estreita. E é ela que levará todos nós ao clímax do romance da vida: a morte!
"Meu corpo é a taça para um vinho já derramado". (J.M. Júnior)
Queria beber uma taça de vinho apenas. Sentir o gosto suavemente pela minha boca e depois repousar na certeza do infinito...
"To look life in the face, always, to look life in the face. And to know it, for what it is, and at last to love it, for what it is, and then, to put it away...
Always the years between us, always the years... always, the love... always, the hours". (Virginia Woolf)
Fui à cozinha depois de acordar e, pela janela, vi o sol... Enfim um dia sem chuva, um pouco mais quente até. Pelo menos a temperatura está agradável. Mas ainda há muito gelo se derretendo dentro das veias da alma...
Porque os nossos passos caminham ao relento sobre folhas secas... Tudo ao redor parece está seco como as folhas caídas ao chão. As árvores perderam o verde; os frutos, já nem lembro se um dia existiram... Se é escuro lá fora; aqui dentro, tudo é névoa... Não há flores. E mesmo se houvesse, não haveria Mrs. Dalloway para comprá-las. As flores murchariam sem que ninguém ao menos as tivesse regado. E a névoa? Ela está cobrindo tudo, tirando a visão e todos os outros sentidos estão perturbados. Não se sente o cheiro das manhãs, não se sente o gosto do chocolate, não se ouve a melodia do vento, não se sente a textura da face amada, não se vê mais o brilho da lua. Também não sei se haverá primavera, pois as plantas parecem não querer se mover. Os galhos secos apenas gritam, com vozes desesperadas, e imploram, ardentes e congelados, que algum raio os parta de uma vez. E os gritos ecoam... Tão forte que se ainda houvesse audição, certamente os tímpanos explodiriam. E já não há xícaras de café deixadas sobre a mesa, não há folhas espalhadas por uma mesa de madeira velha, não há sons, não há desejos, não há súplicas ou declarações de um amor eterno. Não há nada de real porque só ficaram as fantasias de uma primavera florida, de uma mesa de madeira nova com as belas flores postas no mais belo vaso de porcelana... Ficaram fantasias de flores que nunca serão compradas.
Queria poder falar a língua do amor. Queria, simplesmente, dominar mais este idioma, pois a mim, já não basta “Eu te amo”, “I love you”, “Ich liebe Dich”, “Je t’aime”, nem qualquer outra forma que sirva apenas para declarar algo que não sei pronunciar... Não conheço ou não entendo? Há estratégias de leitura? Não sei de onde vem a morfologia, a fonologia, nem tão pouco compreendo os campos semânticos desta de língua cuja fonética é tão irregular. Suplico-lhes, tão grandes teóricos da linguagem, que desvendem a misteriosa sintaxe do amor.
Há semanas não escrevo nada aqui, mas hoje, a manhã de chuva e a visão de um céu repleto de nuvens, cinzento, me fizeram refletir sobre muitas coisas. Perdas, dúvidas, erros e acertos, há tanto para pensar. Deve ser por isso, que senti uma forte dose de melancolia.
E pela janela, continuo vendo um céu cinzento aqui na capital pernambucana.
Minha alma está doendo! Tudo dentro de mim está fora de ordem. Meus sentidos não sentem como se deve sentir. Meu corpo não reage como eu queria que reagisse. Estou numa espécie de "piloto automático de mim". Queria gritar, mas não consigo. Queria chorar, às vezes até consigo, mas as lágrimas já são poucas. Em alguns instantes, é desespero; noutros, anestesia. Sim, anestesia! O corpo não responde como se estivesse anestesiado. Preciso voltar a pilotar eu mesmo o meu existir.
Só agora estou conseguindo escrever sobre um dos momentos que sempre acreditei que seria um dos mais difíceis e que, semana passada, eu infelizmente vivi.
A dor da perda é uma dor muito intensa. Mais ainda quando se trata da perda de alguém tão querido, alguém que esteve ao seu lado em momentos tão duros e que lhe carregou no colo, lhe pôs pra dormir, assistiu a suas mais tolas brincadeiras como se fossem as maiores obras da sétima arte.
Perdi minha tão querida avó, a quem com muito amor chamava de mãe, por ter sido ela tão importante na minha criação. Já faz uma semana, mas em meu coração sinto ainda muito forte a angústia da perda. Meus olhos, ao verem tudo que me traz lembranças dela,ainda sentem o ardor das lágrimas já escorridas. É muito intenso e vazio esse sentimento. É difícil aceitar a falta de alguém que outrora acreditei ser imortal.
Por outro lado, é preciso perceber que as pessoas, por mais que as amemos, precisam ir um dia, e vão... As pessoas são como as folhas que caem das árvores em todos os outonos. Para minha tão querida avó, uma mãe incondicional, o outono teve que chegar.
Soneto de separação (Vinicius de Moraes) De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto. De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez o drama. De repente, não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente Fez-se do amigo próximo o distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente.
Saturday, January 05, 2008
"She said she would buy the flowers herself" (V. Woolf)
Indeed, she could buy the flowers herself. We all could buy our own flowers ourselves. But what would life be if we used to do it?
Sometimes people forget their own loneliness as if it wasn't growing inside their hearts, their minds, their souls. If she bought the flowers herself, she would feel her loneliness like never before. It'd be very hard and the pain she would feel could certainly rape the only true thing that was in her: her feelings of love. And she would die, or at least, she would think about death (as she did).
And what about him? Would he buy the flowers himself?
Not at all. He had always prefered the silly instead of the true things. And now he is further from the truth than before, which means the flowers will probably not been bought. Nor himself, nor myself... None of us will buy that big and coloured bunch of flowers. But will the flowers always be waiting in that deep vase, full of water?
Devo dizer que este ano o espírito natalino demorou muito a chegar em mim. E, a verdade é que, até agora, aquele sentimento forte, de Natal, ainda não me invadiu por completo. Mas já é noite, daqui a pouco a maioria de nós vai estar com aquelas pessoas que amamos muito e que são deveras importante para nossas vidas.
Que o Natal anuncie coisas boas, realizações, saúde, felicidade e muita paz no mundo.
É preciso ter sensibilidade para deixar seus olhos assistirem a um filme como Closer - Perto Demais. Talvez seja preciso, antes de tudo, livrar-se de conceitos provincianos sobre o amor. Não posso afirmar ao certo o que se faz, ou não, necessário quando se estar disposto a ver esse filme, pois acho que ainda não perdi por completo o toque provinciano no que diz respeito ao amor.
Lidar com o amor de uma forma não muito escrupulosa, de fato pode aterrorizar alguns, assustar outros, chocar, ou simplesmente causar êxtase. O que é o amor? O que são as relações amorosas? De onde vem esse sentimento tido como uma espécie de combustível do mundo?
Simplesmente não sei a resposta de nenhuma das questões que lancei. O que sei é que ao ver Closer, eu me perco um pouco nos meus próprios pensamentos. Na primeira vez, achei cruel a forma como o amor estava sendo posto. Na segunda, já assistia ao filme com os olhos de quem gostou da obra (uma espécie de leitura na qual você recupera tudo o que já leu e aprimora sob uma outra visão de mundo). Hoje, terceira vez que vi o filme, eu o notei de uma maneira diferente e esperei ansioso pelas cenas que mais me comovem e que, a meu ver, traduzem mais completamento o filme.
Então, eu penso: "Como pode ser tão simples deixar de amar alguém? Como pode a verdade, dita de maneiras ferozmente reais, ser tão necessária?". Acho que tudo isso é o material do qual o filme se apropria para retratar a simplicidade (e ao mesmo tempo a naturalidade) que constitui o que para quase todos nós é tão complexo: o amor.
Monday, December 03, 2007
I don't know how to explain what I'm feeling now. Since I don't know when, things have been looking different, as if everything has changed, or even worst, as if everything has never been enough and as if all that I've been believing in has gone away. I just feel us different, or perhaps, I'm finally facing things in their really shape. I'm not saying you're not good nor you don't make me happy. I'm just asking you to take care of us for a moment, it's like a game and now... now it's your turn. Do some ordinary things that I've been asking with my little words, or with my eyes.
Despite all these bad things, all the tears and anguishing feelings, I have to tell that I've never been happier than I've been with you.
Todas as segundas-feiras são meio introspectivas, difíceis... Mas hoje sinto algo mais intenso. É a dúvida, ou melhor, a incerteza. Sinto-me mais frágil do que nunca diante dos fatos, dos meus próprios sentimentos. Sinto medo desta fragilidade que sopra em mim como o vento que entra pela porta da frente, arrastando tudo.
Queria que nada disso existisse, não gosto de medos e eles sempre geram ansiedade. Queria repousar nos braços escolhidos e neles poder esquecer tudo. Talvez repousar naqueles braços impedissem tudo de existir.
Sinto a ausência de letras para as minha palavras. Nem tudo é pronunciável, nem tudo é sólido. Ora sinto que as coisas parecem ser como a areia, que o vento leva; ora, tudo parece ser constituído pelo metal mais rígido. São os sentimentos que estão aflorados... Bons ou ruins, eles estão permeado meu corpo, minhas veias, minha alma.
Alguns, de fato, fazem-me sangrar e os gritos são inevitáveis. São gritos de dor que se alastram pelo vácuo silenciado. São gritos que ecoam, mas que sempre voltam para mim. É, alguns sentimentos são apenas grito no silêncio.
Para tudo na vida há sempre os dois lados da moeda. Há sempre o bom e o ruim. Mas quando o bom começa a se perder em angústias e sentimentos de solidão que não deveriam existir?
Ouvi um desabafo de alguém que se sente falta de companhia, pois está sozinha faz uns meses. Retruquei prontamente: "pior é sentir-se só quando não se está só".
Tenho pensando muito em minha vida, no amor. Tenho pesado muito para saber até onde vale a pena. O cruel é saber que quando você gosta você se permite esperar, acreditar, sonhar... Não é simples como deveria ser, é como se você perdesse o controle de si mesmo e não pudesse mais mandar no seu corpo, na sua mente, nas suas palavras.
A verdade é que estou me sentindo muito sozinho. Aliás, estou provando de uma solidão nunca antes experimentada. E posso dizer com muita certeza: essa é bem pior!
Eu amo, amo de verdade; mas estou vendo a confiança e o companherismo se esvair. E ouçam, nada vai fazer meu sentimento mudar, pois só quem sabe dele sou eu e ele, o sentimento, é só meu.
Não sei porque eu ainda me importo. Anormal seria se acontecesse da forma como eu desejo. Não está em minhas mãos, nunca esteve. Mas eu estou querendo colocar a minha tranqüilidade em minhas mãos.... Estou cansado.
"I don't know what is happening these days. Ok, perhaps I know, but I just don't want to feel it, to face it". Não sei o que há de errado, não entendo o porquê de eu estar me sentindo assim nestes últimos dias; meio deprimido, triste. Sinceramente não sei o que está acontecendo, ou talvez eu até saiba, mas não queira sentir nem encarar isto. Talvez eu nem tenha certeza se é o que pode ser. A vida bem que podia ser mais regular, mais lógica. Eu bem que queria ser um alguém estável. É normal que um sentimento de angústia ou de leve dor se abaterem sobre a segurança e a tranquilidade? Pseudo-tranquilidade! Pseudo-segurança! Acho que não devo reclamar quando alguém não me entender, e, devo isto ao simples fato de que eu também não me entendo.
Ligeiramente introspectivo, fico pensando na minha vida. Penso no que tenho feito, no que desejo fazer. Penso no trabalho, nos objetivos. Penso nos meus sentimentos. Penso. Parece que a mente está ligada a mais de mil volts. O mais esquisito, no entanto, são as incertezas, o não-saber, o não-entender a si mesmo. É, algumas vezes eu simplesmente não me entendo, não consigo explicar o que sinto, nem muito menos organizar os pensamentos de forma a entendê-los melhor. Oh! Dúvidas de um leonino, de um personagem esférico com características das mais diversas. Dúvidas de um jovem homem complexo, estranho e temperamental. Sou feliz, hoje sei que sou muito feliz. Por tudo que já conquistei, pelas poucas e boas amizades, pelo amor... Ai, amor! Sou feliz porque apesar de ser odiado por alguns que dizem que eu tenho o rei na barriga, eu sou querido por pessoas que amo muito. E quer saber, eu gosto das opiniões contraditórias, afinal, sou muito complexo para me submeter a uma só opinião. Mas tenho dúvidas, como as tenho!!! Sinto coisas que a ninguém tenho coragem de revelar. Segredos que escondo (e procuro esconder) até de mim mesmo. A cup of tea para desacelerar meus pensamentos...
Eu simplesmente não sei sentir. Para mim, é a pior coisa com a qual o ser humano precisa lidar.
Oh, vida! Vem aí uma bela fase de produção, uma bela fase de inspiração para escrever. E escreverei, pois as palavras escritas são o alívio para a dor d'alma. Cada letra é uma lágrima, o texto... O texto é a dor sentida.
Mas confesso: se para escrever preciso sentir essa dor, não queria ter nunca mais inspiração.
Quando tudo o que resta é o brilho da lua cobrindo todos os sentimentos que estão se "palavriando"... Quando todas as palavras que virão são promessas daquelas que nos escorrem pela face amarrotada.
Cannonball (Damien Rice)
Still a little bit of your taste in my mouth Still a little bit of you laced with my doubt Still a little hard to say what's going on
Still a little bit of your ghost your witness Still a little bit of your face I haven't kissed You step a little closer each day Still I can't SAY what's going on
Stones taught me to fly Love taught me to lie Life taught me to die So it's not hard to fall When you float like a cannonball
Still a little bit of your song in my ear Still a little bit of your words I long to hear You step a little closer to me So close that I can't see what's going on
Stones taught me to fly Love taught me to lie Life taught me to die So it's not hard to fall When you float like a cannon
Stones taught me to fly Love taught me to cry So come on courage! Teach me to be shy 'Cause it's not hard to fall And I don't wanna scare her It's not hard to fall And I don't wanna lose it It's not hard to grow When you know that you just don't know
O pequeno garotinho andou sumido de seus paradoxos...
O tempo passando e nada de haver uma inspiração, um desejo forte e, acima de tudo eficaz, de escrever. Talvez o menininho já não seja o mesmo garotinho de algum (pouco) tempo atrás. A vida corre, os dias passam deixando ligeiras marcas sobre tudo aquilo que por seu vento é tocado. Alguns sobrevivem e assustadoramente suportam a cólera do dia-a-dia. O pequeno jovem simplesmente não consegue.
É por não saber se conformar com a rotina que este menino corre para viver sua vida, faz suas muitas coisas tentando deixá-las da melhor maneira possível.
E o amor... Este menino sempre sente muito amor e, este tão banalizado sentimento é o combustível pra toda a velocidade deste pequeno filho, que também é neto; e é primo, sobrinho, aluno, professor, pesquisador, amigo, namorado... A vida deste menino mudou muito nos últimos tempos, mudou tanto que ele se emociona muito quando pára pra refletir sobre a verdadeira metamorfose pela qual a sua vida passou.
Mas o bom de tudo isso é que esse menino está realizado e muito feliz, mesmo que a felicidade seja um disfarce achado pela falta de tempo.
Eu tenho me perguntado o porquê dos dias estarem passando tão depressa... Daqui a pouco o ano termina e, é incrível como nós vimos os segundos, os minutos, as horas correrem.
Não posso reclamar de nada, sou o tipo de pessoa que gosta de ver o tempo passar - pelo menos na maioria das vezes -, pois há sempre aqueles momentos que nos fazem querer congelar o tempo. Há sempre aquele alguém especial que faz você querer parar nas horas para poder usufruir cada vez mais da sua companhia maravilhosa.
Ao lado destas questões temporais, eu também me pergunto sobre como a língua está evoluindo... Entre neologismos e expressões idiomáticas das mais diversas, o nosso vocabulário vai ficando cada vez mais vasto. Por outro lado, o transitar por entre línguas diferentes, de raízes diferentes (em determinados casos) é algo ainda muito misterioso e místico, eu diria. E eu prossigo com esse pensamento, já que minhas conclusões são tiradas por experiências próprias. Como professor de língua estrangeira, eu queria entender de onde os alunos vão buscar tantas perguntas que desafiam os limites da sociolingüística. Será que não dá para entender que canjica, simplesmente é canjica? Não conheço nenhuma palavra de língua inglesa que traduza perfeitamente a palavra canjica. Este fenômeno se deve ao fato de que canjica é um alimento tipicamente brasileiro. Acredita-se que a canjica, assim como o cuscuz e a pamonha, é de origem africana e foi introduzida à culinária brasileira através dos escravos.
Tarefa difícil traduzir a palavra canjica, se ao menos fosse em português eu poderia citar sinônimos como jimbelê e munguzá (em algumas regiões do país, pois no Nordeste, munguzá e canjica são pratos diferentes) . Mas achar palavra in English para a nossa canjiquinha brasileira de coração; perdoe-me, mas isso é outra história...
Eu só precisava dizer que te amo e que você me faz muito feliz. Problemas, imprevistos, erros... tudo isso, ainda que ruim, existe. Mas eu quero dividir minha vida com você, eu quero lhe passar todo o amor que você trouxe para minha vida. Eu te amo, I love you, Ich Liebe Dich!!!
Não sei se foi a arte de escrever que se escondeu de mim, ou se foi minha mente que se recusou a pensar. Na verdade, não sei nem posso questionar a mim mesmo sobre tais coisas. Queria encontrar sempre as palavras corretas e a maneira mais sensata e harmoniosa (permito-me usar esta palavra!) de dizer, expressar meus sentimentos. Expressar, definir meu mundo de sentimentos, afinal, são tantos sentires a pairar sobre minha vida... Sou uma grande explosão, sinto tudo ao mesmo tempo e muitas vezes não consigo separar uma coisa da outra. É verdade, sou muito intenso! E é isso!
Ontem tive uma noite maravilhosa... Lugares agradáveis, palavras doces, sentimentos bons, serenos... Um alguém maravilhoso e de extrema importância em meus dias. Alguém que mora em meu coração.
Ontem, também, ganhei um belo livro: Nova antologia poética de Vinícius de Moraes. Divido com as poucas, mas seletas pessoas que lêem meu blog, um dos sonetos presentes nesta antologia.
Soneto de Véspera Quando chegares e eu te vir chorando De tanto te esperar, que te direi? E da angústia de amar-te, te esperando Reencontrada, como te amarei? Que beijo teu de lágrimas terei Para esuqcer o que vivi lembrando E que farei da antiga mágoa quando Não puder te dizer por que chorei? Como ocultar a sombra em mim suspensa Pelo martírio da memória imensa Que a distância criou - fria de vida Imagem tua que eu compus serena Atenta ao meu apelo e à minha pena E que quisera nunca mais perdida...
Eu queria saber explicar, definir de uma forma bem clara o momento no qual você sente que não sabe nada. Quando você conclui que nunca soube tão pouco de si mesmo, do mundo ao seu redor, dos seus dias... Posso começar tentando dizer que é uma sensação engraçada e que, de certo modo, traz um enorme conforto para a sua alma. Parece que o não-saber lhe faz perder o medo de arriscar e, ao fechar os olhos, você só quer saber de viver e tentar. Tentar com o melhor que você tiver. Ser o melhor que você puder, e ser o melhor nesse momento não significa ser o melhor para o mundo, mas sim, ser o melhor para você mesmo e fazer do seu momento íntimo o mais pleno possível. Também posso resgatar o momento em que os olhos se fecham para tentar descobrir a essência do não-saber. Talvez fechar os olhos lhe faça ganhar um equilíbrio invisível. Fechar os olhos nem sempre significa escuridão... Ainda me permito imaginar que o não-saber faz você querer cada vez mais. Querer viver para descobrir, querer sentir até a última gota. E quando se quer dessa forma, não há medo que lhe impeça, e, nessa hora, você só quer ser feliz e viver no mais literal sentindo do Carpe Diem.
Mestre em Linguística. Professor de Inglês e Português. Antes, já quis ser jornalista, médico e astrónomo. Continuo querendo muita coisa. Vivo sempre na possibilidade de um dia mais feliz (ou não).